quarta-feira, 22 de maio de 2013

A CRUZ É A TOMADA

Recentemente assisti uma série de reflexões do Pastor Ricardo Agreste. Em uma de suas pregações, o Pastor faz um paralelo entre o ser humano e um notebook. Vou tentar resumir o pensamento:

Imagine um notebook conectado em uma tomada. Ao estar ligado na energia elétrica, o mesmo seguirá funcionando. Entretanto, se desligarmos a tomada do notebook, o mesmo também seguirá ligado, pois estará se mantendo através da energia da bateria. Importante salientar que a bateria só tem energia pois em um determinado momento o notebook permaneceu ligado na tomada. Enfim, o problema é que chegará um determinado momento em que a energia da bateria irá acabar e o notebook irá parar de funcionar. Assim é o ser humano. Antes da queda, possuía vida eterna pois Deus o sustentava. Ao optar pela rebelião, o homem se (auto) desconectou de Deus, a fonte de Vida. Hoje o homem funciona com o “restinho” de vida que Deus proveu em Graça e Misericórdia. Mas chegará um determinado momento em que este “restinho” de vida irá chegar ao fim. Em outras palavras, o homem terá de enfrentar a morte. Deus, que é Amor e Misericordioso, então nos provê um meio de se reconectar à Ele, pois sabe que nada que esteja conectado a Ele jamais terá Vida Eterna. Esta “reconexão” acontece através de Seu Filho Jesus. Ele é a “tomada” no qual os “notebooks” podem ter acesso à “Energia Elétrica”.

Bom...antes de prosseguir, tomo o cuidado de dizer que este é um “paralelo” em pró de ajudar-nos a ter uma consciência mais assertiva de nossa condição como seres caídos. É claro que o nosso Deus é um Ser Pessoal e não uma mera energia presente no universo, como muitas pessoas acreditam ser Deus.

Dito isso...vamos prosseguir...

Particularmente, achei uma excelente comparação. Ao assumirmos a posição de funcionar por meio da energia da “bateria”, foi o mesmo que assumir a condição de “Walking Deads”. Estamos todos mortos. Apenas a aniquilação ainda não foi consumada. Nós estamos apenas aguardando o momento onde a morte será consumada.

Quando nos deparamos com o plano de redenção de Deus, conscientes da nossa verdadeira condição (mortos-vivos), nos deparamos com um favor imerecido no qual jamais poderemos descrever.

John Stott pensou acertadamente em sua fé:

A essência do pecado é: “o homem se colocando onde Deus deveria estar”
A essência da salvação é: “Deus se colocando onde o homem deveria estar”

O homem se colocando no lugar de Deus, resultou na ação (do próprio homem) em puxar o “fio da tomada”. Deus é provedor de vida. E o homem achou que poderia assumir este papel...assumir a condição de ser provedor de vida para si mesmo. É como se o homem dissesse para Deus: “Minha bateria funciona tão eficaz quanto a Sua fonte de Energia, não preciso mais de Ti”.

Deus se colocando no lugar do homem é a quebra da lógica humana. É Deus nos mostrando que estamos totalmente equivocados. É Deus nos mostrando que a nossa bateria vai perder toda a energia quando menos esperarmos, mas que Ele deseja nos prover energia eterna para que tenhamos vida eterna.

O ato de se desconectar de Deus vem pelo pecado. É engraçado que há uma distorção de entendimento entre a visão que temos de pecado e a visão que Deus tem (com base no que Ele nos revela nas Escrituras Sagradas). Ao buscar mais entendimento para diluir este pensamento, encontrei este pequeno texto:

“Veja como Deus considera o pecado:
O homem pode chama-lo de casualidade, mas Deus o chama de abominação.
O homem pode considerar o pecado um disparate, mas Deus o chama de cegueira.
O homem pode chamar o pecado de acaso, mas Deus o diz que é uma escolha.
O homem o descreve como um defeito, mas Deus como uma doença.
O homem chama o pecado de erro, mas Deus o chama de inimizade.
O homem vê o pecado como fascinação, mas Deus o vê como fatal.
O homem considera o pecado como um luxo, mas Deus o vê como a lepra.
O homem vê o pecado como uma brincadeira, mas Deus o vê como uma tragédia.
O homem chama o pecado de liberdade, mas Deus o chama de escravidão.
O homem considera o pecado uma fraqueza, mas Deus o considera uma obstinação.”

Será que enxergamos o pecado da maneira que Deus deseja que a gente enxergue?

A famosa árvore do conhecimento relatada em Gênesis é uma representação do lugar pertencente à Deus e da condição humana. Ali estava representada a condição do homem em depender-se de estar conectado na tomada. Quando desobedecemos à Deus e optamos por comer o fruto, optamos por nos desconectar da tomada. Então não só passamos a funcionar através da energia de nossas baterias, como o nosso sistema operacional foi danificado. É como se um vírus estivesse circulando em nosso sistema de funcionamento. O nome deste vírus é pecado. Ele é tão perigoso que distorce até a real visão que deveríamos ter sobre o mesmo.

Para eliminar um vírus, só com um antivírus. No caso do vírus chamado pecado, o nosso antivírus é: o sacrifício de Jesus. E muito mais do que isso, este sacrifício não consiste apenas na ação de eliminar pontualmente o pecado, mas, se permitirmos, ele agirá como uma vacina, para que jamais o sistema operacional seja contaminado novamente pelo pecado.

Que o Senhor nos abençoe grandemente, dando discernimento para sabermos exatamente qual é o nosso lugar e qual é o lugar Dele. O nosso em condição de redenção e o Dele em condição de Redentor Misericordioso. O nosso em condição de adoradores e o Dele em condição de Adorado. O nosso em condição de criatura e o Dele em condição de Criador. O nosso em condição de submissão e o Dele em condição de Soberania. O nosso em condição de dependentes e o Dele em condição de Independente.

terça-feira, 21 de maio de 2013

INTEGRIDADE QUE GERA PERFEIÇÃO

O evangelho de Cristo não é uma boa nova que nos cobra plena perfeição. Pelo menos não a perfeição segundo a visão do homem. Deus conhece a nossa natureza. Ele sabe que somos pecadores. Sabe que por mais que busquemos a santidade, iremos cometer deslizes. Neste sentido, creio que se tem algo no qual muitos cristãos precisam ser salvos (inclusive e, principalmente, eu) é da lógica que impõe uma busca para ser perfeito.

Jesus nos disse:

“Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” Mateus 5:48

Jesus era muito inteligente. Ele sabia que, nós humanos, somos falhos. Então por que Jesus nos disse isso?

Creio que a proposta das Escrituras Sagradas é que sejamos perfeitos em Cristo Jesus. A proposta é que busquemos a perfeição conscientes de que só a alcançaremos em Jesus. Isso por que uma vez que aceitamos a caminhada cristã, assumimos o compromisso de não pecar. Neste sentido o pecado deixa de ser uma escolha e só se faz presente na vida do cristão em forma de “acidente”. Quando isso acontece, nós humanos temos que recorrer à Cristo, buscando Nele a reconciliação com o Pai.

A perfeição que é proposta por Jesus não é um fardo à se carregar. A perfeição que Deus propõe é a perfeição aliada à crucificação de Cristo no calvário. É a perfeição mediada pelo Precioso Sangue de Jesus. Esta perfeição é um convite ao comprometimento com os valores do Reino de Deus. É um convite que o próprio Cristo nos faz, consciente de que carecemos de Sua Própria misericórdia para obter êxito.

Jesus nos propõe que busquemos a perfeição tendo como ponto de partida os Seus valores, e não os valores do homem, como peso de conceito de “perfeição”. Ele sabe que o homem impõe sobre si mesmo uma (auto) cobrança cujo os parâmetros são distorcidos, fazendo com que o seu próprio e limitado julgo se torne um peso gigantesco para se carregar nas costas. Nisso consiste o evangelho da culpa.

O Evangelho proposto por Cristo é o da Graça, onde a perfeição só é alcançada através da misericórdia concedida pelo próprio Deus. Por isso que, para entender o convite de Cristo...

“Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” Mateus 5:48

...temos que usar como lentes o caráter de Cristo...

“porque meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” Mateus 11:30

Estas palavras se complementam no contexto de que o Criador conhece como ninguém a criatura que ele criou. Sabe que jamais conseguiremos obter perfeição alguma com nossos próprios recursos. Sabe que só dependendo Dele podemos ser perfeitos. Neste sentido, ouso dizer que, Deus deseja muito mais que sejamos íntegros do que perfeitos. A integridade entra em cena neste pensamento nos transportando para o conceito de comprometimento com a submissão ao Pai. No sentido de não se permitir corromper. E aqui entra o entendimento de que se o pecado acontecer, devemos correr para a cruz de Cristo, para que a nossa integridade seja restaurada. Integridade consiste em romper com o ciclo de pecado antes mesmo de ele tornar a acontecer. É identificar o pecado (acidental) no momento em que ele aconteceu e já buscar arrependimento (caminho de volta). Não se permitir entrar no ciclo de abismos (um abismo chama outro abismo, um pecado chama outro pecado). Não se permitir trabalhar em pró da morte...pois o salário do pecado é a morte.

Assim fez Davi, quando o profeta lhe evidênciou que ele tinha cometido adultério e a sua consciência lhe posicionou perante a bifurcação dos caminhos "continuar pecando" ou "se arrepender". Ele tomou o caminho do arrependimento em pró de restaurar sua integridade junto à Deus.

Sendo assim...a perfeição na qual o cristão é convidado a buscar em sua vida ...é a total submissão ao Deus Criador!

Que o Pai possa alicerçar este entendimento em nossas consciências para que todas as intenções de nossas atitudes sejam glorificações ao próprio Pai que nos provê Graça e Misericórdia!

O VERDADEIRO SÁBADO

E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas.
E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito?
Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam?
Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam?
E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado.
Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor. Marcos 2:23-28

Ao olharmos para os relatos dos Evangelhos, é muito comum nos depararmos com situações onde Jesus, o Cristo, era questionado/acusado por transgredir a lei que dizia para que o sábado fosse guardado. Em Marcos 2:23-28 nos deparamos com uma dessas situações. Num dia de sábado, Jesus e Seus discípulos estão caminhando por uma plantação e começam a colher espigas. Ao verem isso, os fariseus então questionam à Jesus sobre o por que ele e seus discípulos agiam desta forma perante a “sacralidade” do sábado.

Para responder o questionamento, Jesus primeiramente relata uma situação onde Davi e seus homens, em uma situação de necessidade, consomem os pães da proposição, que eram sagrados e só podiam ser consumidos pelos sacerdotes. Então, partindo deste contexto, Jesus arremata dizendo: “O sábado foi feito por causa do homem, e não o homem por causa do sábado. Assim o Filho do homem até do sábado é Senhor.”

O Sábado foi sacralizado na lei revelada por Deus a Moisés tendo como base o contexto de que o Senhor criou tudo em 6 dias, e no sétimo dia descansou. Hoje em dia, existem diversas discussões entre cristãos sobre guardar o sábado (literalmente o dia do sábado) ou não. Então eu pergunto: será que este é o cerne do entendimento do sábado e seu significado?

Particularmente acho que o homem talvez não tenha entendido exatamente o significado do sábado. Cumprir a sacralidade do sábado simplesmente por vê-lo como uma determinação da lei é algo sem sentido. Ao vermos Jesus relativizando o sábado, creio que isso fica evidente.

O sábado é uma determinação de Deus para beneficiar o homem. Muitas vezes quando vejo, nas Escrituras Sagradas, o homem lidando com a sacralização do sábado, percebo relatos onde os mesmos distorceram este entendimento, chegando até a enxergar o sábado como um “estorvo”. Sim, por diversas vezes percebi nas páginas das escrituras sagradas pessoas tratando o sábado como um “estorvo” no contexto de não poder cuidar do seu gado, do seu pasto, etc.

Bom, então a pergunta é: se o sábado foi instituído por Deus para beneficiar o homem, que benefício então está por trás desta determinação por parte de Deus?

Proponho a seguinte resposta: O sábado representa uma “fatia de tempo” (um dia) para que o homem encontre descanso. Representa uma fatia do kairós de Deus para que o homem encontre alento. Representa uma fatia do momento oportuno provido por Deus para que o homem encontre paz. O sábado é sacralizado em pró de prover descanso, alento e paz ao homem, pois o mesmo vive em um mundo no qual a tribulação corre em paralelo com o plano de redenção de Deus. O Sábado não é um dia da semana. O Sábado é muito mais que uma fatia de 24 horas do chronos. O Sábado é uma Pessoa. O Sábado é Jesus Cristo: Nosso Descanso, Nosso Alento e Nossa Paz. O Sábado é Jesus...Descanso, Alento e Paz que produz Alegria! Jesus é o Sábado Constante! Sábado ao alcance da nossa alma por meio do Espírito Santo. Ele é o Verdadeiro Sábado!

Talvez aqui tenhamos um desafio: viver os nossos dias com esta consciência, de que Jesus é o nosso Sábado...que Nele há abrigo...refúgio...e descanso ...que Nele há a paz para enfrentarmos nossa caminhada de volta para o nosso Lar, que é o próprio Cristo Jesus.

Que o Senhor siga expandindo nossas consciências para os valores do Seu Reino. Que Ele se faça Sábado em nós. Que a gente tenha discernimento para permitir Jesus se fazer Sábado em nós.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O COMPOSITOR DA REDENÇÃO

Muitos poetas já afirmaram: A vida é uma canção!

Ora, se Deus é Amor e se Ele é o Autor da Vida, então podemos dizer que a vida é uma canção de amor!

Sim, Deus compôs uma canção de amor. Criou um jardim, para que pudesse se relacionar conosco. Para nos fazer “serenatas” entoando os doces acordes de Sua Presença. Acordes que nos abraçavam em amor. Este era o projeto inicial. Entretanto, a humanidade, alvo da “canção de amor” composta por Deus, preferiu compor suas próprias canções. Optou por escrever sua própria melodia, deixando para trás a canção composta por Deus. O Compositor então, consciente de que nenhuma outra canção de Vida pode ser tocada a não ser pelo som quem vem do Seu Sopro Divino, tinha um dilema: calar o universo ou prover redenção para os que se rebelaram contra Ele.

Então o Compositor optou por escrever uma outra canção de amor, onde a redenção é carregada sobre a melodia da misericórdia. Deus escreveu a canção da redenção. Uma canção também de amor. Um amor misericordioso, repleto de Graça. Sim, uma canção de amor, onde as estrofes estão carregadas de misericórdia e compaixão. Uma canção escrita por um Noivo apaixonado pela Sua noiva. Um Noivo que possui Amor Verdadeiro. Uma canção onde a poesia nos transporta para a mais linda história de amor. A canção de nossas vidas. A canção que nos leva de volta para Casa. A canção que restaura nosso ser. A canção que o próprio Compositor, o Noivo, escreve no refrão que irá morrer por amor à noiva. Uma canção que rompe a barreira do tempo, alcança cada um de nós e nos traz a notícia: o Noivo nos perdoou e nos deseja de volta.

Deus compôs a redenção. Ele nos ama. A redenção é uma canção onde o refrão é o próprio Compositor se doando na cruz do calvário. A redenção é a canção que nos conduz de volta para Casa. Jesus Cristo é esta canção de amor. Ele é a canção da redenção. O nosso ser esconde uma infinita vontade de cantar esta canção. Uma infinita vontade em cantar a redenção em adoração.

Ouso dizer que uma canção só é adoração, se for esta canção de redenção: Cristo Jesus. A Ele Toda Honra e Toda Glória...para todo o sempre e sempre...amém.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

PERMANEÇA NA ESCADA ROLANTE

O poeta alemão Johann Wolfgang Von Goethe certa vez disse: “Cada um carrega dentro de si a prova da própria imortalidade”.

Interessante este pensamento. A palavra “prova” nos remete à duas dimensões de entendimento.

A primeira no sentido de “evidência”. Neste caso, o homem olha para si mesmo e vê um imenso vazio dentro de si. Percebe que existe alguma coisa que lhe “foi retirada”, algo que lhe proporciona o sentimento de incompletude. Esta evidente lógica se faz de trampolim e nos arremessa ao pensamento de Fiódor Dostoiévski, que diz que o ser humano possui um vazio do exato tamanho de Deus...infinito! Deus é infinito no sentido de ir além de absolutos. Ele é a própria Vida Eterna. Ele é a Imortalidade. É o único ser Auto Sustentável. O único que pode dizer “Eu Sou”. O único que pode conjugar, no sentido literal, qualquer verbo no pronome “Eu”. O único que se pode dominar “Eu” no sentido existir, sem que depende de algo para se sustentar. Sua infinidade nos remete a uma lógica que excede o entendimento humano. O vazio que há dentro de nós é o espaço proporcional para ser ocupado por Deus, que é Vida Eterna em infinita abundância.

A segunda dimensão é no sentido da palavra “teste”. Neste caso, o nosso próprio “eu” é a maior tentação/provação para se chegar a eternidade. Negá-lo, crucifica-lo, e doa-lo, é a única maneira de vence-lo. Não é uma “prova” fácil de se vencer, pois o nosso próprio “eu” tendência a se aliar com os valores de satanás. A nossa natureza é corrompida e negá-la é um ato necessário. Dentro de nós existe a maior prova a ser vencida. Dentro de nós existe o maior tentador de nossa alma: o nosso próprio “eu”. A imortalidade, ou se preferir, a eternidade, só é possível se vencermos o nosso “eu”.

O fato é que estas duas dimensões se auto complementam. A primeira, o infinito vazio que se faz presente em nós, é fruto de termos nos rebelado contra Deus. Este vazio se deslancha dentro de nosso ser pelo fato de acharmos que nosso próprio “eu” era suficiente para preenche-lo. Demos com a “cara no chão”, pois é cada vez mais evidente que o ser humano jamais conseguiu e jamais conseguirá preencher algo tão infinito com a real pequenez e impotência do nosso “eu”. A segunda, o ato de negar o próprio “eu”, é o rompimento com a lógica que causou o infinito vazio dentro de nosso ser. Aqui fica evidente que a única maneira de romper com esta lógica é parar de tentar preencher o vazio eterno que está dentro de nós com nosso ego. Este vazio infinito é uma “peça de lego” incapaz de ser imaginada, mas que tem a forma exata de Deus. Então qualquer coisa que colocarmos neste espaço será inútil...aliás...eternamente inútil (como diz C S Lewis). Deus tem consciência de que jamais conseguiremos passar por este processo sem Ele. Neste sentido um primeiro passo já foi dado pelo próprio Deus em nossa direção: Ele se entregou na cruz em sacrifício à nossa redenção. A gente não merecia esse favor. Esta é a tão maravilhosa graça de Deus. Falta o nosso passo. Tornar-se imitadores de Cristo e crucificar o nosso “eu” que insiste em tomar o lugar de Deus.

Certa vez ouvi alguém dizer que a Graça de Deus é como (similar a) uma “Escada Rolante” rumo à eternidade. Esta “Escada Rolante” é Cristo Crucificado. A nossa atitude é estar Nele. A nossa atitude é estar na “Escada Rolante”, pois Ela esta em constante movimentação para a Vida Eterna.

O poeta alemão diz: “Cada um carrega dentro de si a prova da própria imortalidade”. A maior provação é parar de insistir em “pular da Escada Rolante”. A maior provação é a tentação em deixar de estar na Escada Rolante e buscar outros caminhos.

Jesus, a Graça Divina Com Rosto Humano, nos diz:

"...Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. João 14:6"


Permaneça na Escada Rolante. Ela nos conduz em direção ao Pai, que é o Paraíso, Aquele que nos provê a eternidade, pois Ele é a própria Eternidade.

Que Deus nos dê discernimento para seguir buscando preencher o infinito vazio dentro de nós com a Eternidade explicitada por Cristo Jesus no Calvário.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

NÃO QUERO OUVIR NENHUM PIO

A parábola abaixo não consta nas Escrituras Sagradas. Entretanto ela é uma famosa parábola do povo judeu. Tomei a liberdade para reeditá-la incrementando algo essencial para o pensamento que gostaria de diluir. Vamos à parábola...

*****
O Rabino e a Galinha

Uma mulher, que pertencia a uma comunidade judia, sofria, juntamente com seus filhos, um período de extrema miséria. A fome era intensa. Semanas e semanas sem poder comer e dar alimento aos seus filhos. Vendo a situação desta família, um homem muito piedoso lhe deu uma galinha. Era um dia de sábado! Ela então colocou a galinha debaixo do braço e, juntamente com seus filhos, foi até a casa do rabino, líder da comunidade, para saber se a galinha poderia ser sacrificada de acordo com o ritual religioso para que a mesma fosse transformada em alimento para ela e seus filhos.

O rabino e sua esposa ouviram o questionamento da mulher. Então eles pediram que a mulher e os seus filhos ficassem aguardando enquanto eles pegariam a galinha e se recolheriam em oração. E assim o fizeram. O rabino se recolheu e começou a meditar. Olhava para os livros e então olhava para a galinha. E assim seguiu meditando, consultando os livros e examinando a galinha. Depois de meditar por um razoável tempo, ele entrega a ave para sua esposa e diz: "Devolva a galinha para aquela mulher e diga que a galinha não pode ser usada como alimento. Hoje é sábado e a lei de Deus não permite que a ave seja sacrificada!". A esposa então diz ao seu marido: “Tem certeza, eles estão tão famintos?”. O rabino diz: “Que isso mulher? Eu sei o que estou fazendo!”. A esposa tenta argumentar mais uma vez mas o marido lhe diz: “Chega! Não quero ouvir mais nenhum pio. Faça o que lhe disse.”

A esposa então toma a galinha em mãos, vai até a mulher e lhe entrega a ave dizendo: "Sacrifique a ave e use-a como alimento para você e seus filhos!".

A mulher então pega a ave e sai correndo para matar sua fome e a de seus filhos. Neste mesmo instante, o rabino, tendo ouvido o que sua esposa tinha dito, sai de casa ao encontro de sua mulher e muito nervoso repreende a mesma: "Por que me desobedecestes mulher? Eu não disse para você falar para ela que a galinha não podia ser morta hoje, pois é sábado?". A esposa então, com um tom doce e afável responde: "Você olhou para os livros e para a galinha...então chegou a uma conclusão. Eu olhei para uma família faminta e para a galinha, então tirei também uma conclusão."

*****

Creio que ao ler as Escrituras Sagradas você já tenha se deparado com a palavra “ímpio”. Geralmente a gente traduz a mesma como “pecador”. De certa forma faz sentido. Entretanto, a tradução mais exata da palavra “ímpio” é impiedoso.

Entenda. Vejo que “pecadores” todos nós somos. Entretanto, vejo “impiedade” como uma atitude pecaminosa mais exata. Deixa eu ver se consigo exemplificar (creio que não vou conseguir ser exato, mas vou tentar): “uma pessoa pode estar na condição de pecadora, proveniente da natureza humana, mas ser piedosa”. É um pensamento nebuloso, e até pode parecer medíocre, reconheço, mas creio que há uma sutil diferença entre ser um pecador e ser impiedoso. Enfim, é claro que é explícito o fato de que uma coisa esta ligada a outra.

Sendo explícito no pensamento, o fato é que o cristão luta constantemente para romper com a condição de pecador...da mesma forma que deseja romper com a condição de ímpio.

Bom, mas o que tem a ver tudo isso com o Rabino e a Galinha?

Eu alterei esta parábola para incluir no diálogo entre o Rabino e sua esposa uma frase chave: “...Não quero ouvir nenhum pio...”.

Por que considero esta frase como uma “chave” de entendimento!? Vamos lá.

O contrário da palavra “ímpio” é “pio”. Se por um lado “ímpio” nos remete a “impiedoso”, “pio” nos remete à “piedoso”. Efetuei uma construção desta frase no contexto da parábola para escancarar algo que acontece muito com pastores hoje em dia. Pastores que olham para a lei sem piedade. Assim como o rabino da parábola, se acham donos da verdades. Acham que existe uma verdade absoluta e que ela está explícita em uma leitura literal da lei (a Torá) nas Escrituras Sagradas. Ao agir desta forma, os olhos dos pastores miram muito mais a galinha do que as pessoas. É a leitura da lei incorporando o espírito “ímpio” de interpretação, onde as pessoas ficam em segundo plano, pois perdem o foco devido à verdade absoluta que é criada pela lógica da falta de piedade.

O Cristianismo nos convida a incorporar o espírito Pio ensinado por Cristo para interpretar a Palavra e aplica-la em nosso viver. Esta interpretação nos remete  ao Reino de Deus. Uma expansão da consciência para atitudes movidas em piedade, onde pessoas valem mais do que qualquer dogma, ritual ou lei.

Quem nos ensina esses valores é o próprio Pai da Misericordioso que aguarda o filho pródigo voltar para casa. Pai que abraça o filho com piedade.

Quem nos ensina esses valores é o próprio Pastor que deixa as 99 ovelhas no deserto para ir buscar a ovelha que se perdeu. Ele vasculha o deserto inteiro em busca desta ovelha por que o Espírito que lhe move é Pio.

Quando nos permitimos cegar pela religião ou por uma verdade absoluta, na qual geralmente somos idólatras, somos alavancados a impor nossa própria surdez: “Não querer ouvir nenhum pio”. Será que estamos dispostos a ouvir pessoas piedosas que se importam em levantar uma bandeirinha vermelha para nos sinalizar que estamos sendo impiedosos?

Achamos que ímpio é quem está fora da igreja. Achamos que estamos livres de assumir o papel de ímpio simplesmente pelo fato de domingo a domingo estarmos no culto. Será?

Precisamos ouvir mais Pios! Deixar de olhar para a lei e para a galinha, e olhar para as pessoas que precisam de piedade e para a galinha.

Que o Senhor conduza as intenções de nossas atitudes ao calvário, de forma que todo ato que nosso ser pratique seja motivado por pensamentos piedosos.

CARCAÇAS DE ARGILA

Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do Senhor:
"Vá à casa do oleiro, e ali você ouvirá a minha mensagem".
Então fui à casa do oleiro, e o vi trabalhando com a roda.
Mas o vaso de barro que ele estava formando se estragou-se em suas mãos; e ele o refez, moldando outro vaso de acordo com a sua vontade.
Então o Senhor dirigiu-me a palavra:
"Ó comunidade de Israel, será que não posso eu agir com vocês como fez o oleiro? ", pergunta o Senhor. "Como barro nas mãos do oleiro, assim são vocês nas minhas mãos, ó comunidade de Israel...”
Jeremias 18:1-6

Deus nos fez do barro. Nos deu forma, como o oleiro dá forma a um vaso. Nos moldou com todo o cuidado. Criou uma “máquina” cujo a matéria prima era a argila. Muito mais que criar esta “máquina de argila”, Deus se fez o combustível para a mesma. Nos projetou para funcionar através Dele. O “funcionar” proporcionado pelo “Combustível Deus” a nós, máquinas de argila, é o que chamamos de “vida”. Foi assim que fomos criados. Nunca fomos seres imortais. Mesmo antes da queda. Mesmo antes do pecado original, éramos mortais. O que garantia a nossa imortalidade era Deus, que se fazia de Combustível em nós.

O propósito da “Máquina de Argila” era relacionar-se com o Próprio Deus. E o alicerce deste relacionamento era o Amor. Amor que traz como consequência a glorificação e a adoração para com Aquele que nos Criou e se fez Elemento essencial para o nosso existir. Nisso consiste o projeto inicial de Deus.

Entretanto, ao se ver funcionando, o homem achou que poderia ser o seu próprio combustível. Achou que poderia ser autossuficiente. Então aquela “maquina de argila” que tinha forma e propósito, tentou funcionar com o combustível errado e foi se deformando, até se tornar simplesmente uma carcaça de argila. Foi nisso que nos tornamos. De vaso, passamos à um mero punhado de barro.

Você pode se perguntar: ora, mas punhado de barro ou pó, não da no mesmo? Afinal...ambos são ...argila!?

Lembro me de um comentário que ouvi de um amigo ao se deparar com uma notícia que relatava um ato impiedoso de um rapaz: “Este ai não tem um coração, tem um tijolinho baiano dentro do peito”. De fato é o que a maioria de nós temos no lado esquerdo do peito: um tijolinho baiano. Sim. Feito de pó. Feito de argila. Puro barro.

O barro é a matéria prima no qual o nosso corpo foi feito. Fomos projetados por um Oleiro que visava nos dar não apenas “forma”, mas muito mais do que isso: Vida.

O escritor do livro de Eclesiastes diz: “Viemos do pó e para lá retornaremos”.

Todos vão para o mesmo lugar; vieram todos do pó, e ao pó todos retornarão. Eclesiastes 3:20

A condição de “tornar ao pó” é o que conhecemos por morte. O ser humano não foi projetado para a morte. Pelo contrário, foi projetado para a vida. O que nos remeteu à condição de morte foi simplesmente o fato de insistirmos em querer funcionar com o combustível errado: nós mesmos.

Quando o combustível do nosso ser é o nosso “eu”, assumimos o papel de meras “carcaças de argila”, sem forma, sem propósito, com um “tijolinho de barro” no lado esquerdo do peito, impiedoso e duro como pedra.

Quando nos propomos a ter Deus como o combustível do nosso ser, passamos de meros amontoados de argila para “máquinas de argila”. Retomamos o propósito inicial. Passamos a funcionar corretamente. Passamos a funcionar da maneira como fomos projetados. Ao lado esquerdo do peito, o coração assume o papel no qual ele foi criado: amar, compartilhar, compadecer e principalmente: Adorar ao Senhor.

Deus é a Vida Eterna. Ao permitirmos que Ele se faça combustível de nosso ser, automaticamente damos lugar para que Ele se faça morada em nosso ser. Deus se move em nós, preenche o nosso interior. Faz isso em Sua Graça e Misericórdia. Ele é Combustível Vivo. Eternamente Vivo. Neste sentido, permitindo Ele agir...já não somos mais barro sem forma. Somos barros nas mãos do Oleiro, que não só nos da forma, mas nos preenche com o Seu próprio Espírito Santo. O Espírito Santo de Jesus Cristo. Desta forma somos conduzidos à Vida Eterna.

Muitos de nós nem sabe que é barro. Muitos de nós não tem o entendimento que somos carcaças de argilas. Deus nos convida a deixarmos que Ele nos molde...


Eu vou descer até o rosto tocar o chão
Até a alma se derramar
Até que me deixes quebrar
Eu vou descer
E quando mais baixo estiver
Rendido prostrado aos teus pés
Transforma-me
Eu vou descer à casa do oleiro
Eu preciso ser moldado de novo
Eu bem sei que sou barro Senhor
Não sou nada sem Tua presença, oh Deus
Eu vou descer à casa do oleiro
Eu preciso ser moldado de novo
Um vaso de honra Senhor
Faz de mim como assim desejares

Jesus foi o Único homem onde o Combustível de Deus funcionou em plenitude. E isto só foi possível por que Cristo viveu em plena submissão ao Pai. Somos convidados a ser imitadores de Cristo, somos convidados a buscar total submissão ao Pai, para sairmos da condição de carcaça de argila para Filhos do Deus vivo. Em Cristo, tornaremos ao pó, mas o “tornar ao pó” não será o fim...será a porta de entrada para a Vida Eterna em adoração na presença explícita de Deus...respirando o mesmo ar que o Altíssimo.

terça-feira, 14 de maio de 2013

UM LUTADOR DE SUMÔ TENTANDO JOGAR CAPOEIRA

“Um crente fundamentalista lendo a poesia tão presente na bíblia é como um lutador de sumô tentando jogar capoeira” – Elienai Cabral Jr.

Já parou para pensar nisso?

Que pelo fato da Palavra de Deus nos permitir caminhar entre o “literal” e o “poético”, carecemos de uma “ginga” para extrapolar o “primeiro absorver” da leitura da Palavra?

Será que lemos a Palavra de Deus usando as lentes contaminadas por interpretações rasas impostas por outras pessoas, ou será que somos comprometidos a “ruminar” pensamentos sobre as Escrituras!?

Temos nos contentado com o “primeiro absorver” ou temos empenhado pensamentos em uma busca profunda no entendimento da Palavra?

A Palavra de Deus é viva. Se Move em nós. Exige o pensar. Precisa ser pensada. Ela nos convida a buscar o contexto. Nos convida a ir além das frases feitas, dos clichês, dos “lugares comuns”.

É claro que 2000 anos de igreja não podem ser ignorados. Mas não adianta dizer que a Palavra de Deus é atual, se não lermos à mesma com lentes atemporais baseadas em Cristo, a Palavra Explícita em Vida. É preciso colocar “WD-40” nas engrenagens do pensar. Deixar fluir. Pensar e pensar. E neste processo permitir que o Espírito Santo voe em nossa consciência, levando em Suas asas todos os nossos pensamentos. A Palavra proporciona valores que implicam em leveza no viver. Não no sentido de uma vida sem problemas. Mas no sentido de uma vida em paz. Paz ainda que a tribulação nos visite. Leveza que proporciona contemplar o belo. O belo da vida. O belo que flutua no ar, como um lutador de capoeira. O belo que tira o peso da culpa, e da lógica do mérito, que de tão pesado, parece nos impor um lutador de sumô em nossos ombros.

Que a leitura da Palavra de Deus lhe proporcione Vida. Lhe proporcione a Vida Poética que é a própria Palavra. Que ela se mova em seu ser, através do Espírito Santo de Deus, proporcionando leveza em seu viver. Alicerçando os valores de um Rei que é Verbo, mas se fez carne, e ainda assim, manteve a poesia em Seu viver.

O CERTO E O INCERTO ANDAM DE MÃOS DADAS

Todos sabemos que um dia iremos morrer. Eis ai uma certeza. Entretanto, não sabemos nem “quando”, nem “como” e muito menos “onde”. Eis ai o incerto.

É...a morte nos remete a lidar com “o certo andando de mãos dadas com o incerto”. Você já se perguntou o que esta “certeza carregada de incertezas” provoca em você?

Pavor? Medo? ...talvez!? Indiferença?! Enfim, qual a sua visão sobre a questão “tornar novamente ao pó”?

A gente acorda pela manhã e muitas vezes vem aquela sensação: “Será que volto hoje para casa?”.

Somos frágeis. Somos pó. Carcaças de barro. Para morrer, basta estar vivo. Muitos dizem que a morte é o nosso maior inimigo. Já se perguntou qual é o nosso maior inimigo: o diabo, nós mesmos, o pecado ou a morte?

Aliás, você já parou para pensar que, o demônio se encaixa muito mais no papel de nosso inimigo do que no papel de inimigo de Deus (entenda que, não estou dizendo que ele não tenha assumido uma posição de se opor contra o Criador). Digo isso pelo fato de que o diabo, com relação à Deus, já foi vencido. Mas com relação a humanidade, ainda há um perigo iminente de ele nos levar juntamente com ele para o inferno.

Da mesma forma que se formos realmente sinceros, veremos que nós nos encaixamos muito mais no papel de “nossos maiores inimigos” do que o diabo se encaixa. Afinal somos sabotadores de nós mesmos.

Bom...olhando para o diabo, nós, o pecado e a morte...diria que os todos se intercalam. Formam um ciclo. Afinal, o diabo foi o primeiro a pecar. Nós aderimos ao pecado. Unimos nossas vozes à Lúcifer em sua rebelião. E sendo o salário do pecado a morte, então, poderíamos enxergar, ainda que de forma simplista, que todos os estes elementos se interligam entre si e formam diante de nós o nosso maior inimigo: a lógica de achar que podemos ser deus de nós mesmos. Em outras palavras, poderíamos resumir nosso grande inimigo chamando-o de: Autossuficiência Humana.

Agora, como vencer este inimigo? ...Ao responder esta pergunta, automaticamente somos alavancados a lidar com a pergunta que fiz anteriormente: Como lido com a certeza da morte e a incerteza de sua consumação?

De fato, não somos capazes de vencer este inimigo com nossas forças próprias. Afinal se o nosso inimigo maior é a lógica de viver uma vida cujo a consciência implica em autossuficiência, para vence-lo, só buscando uma lógica de vida dependente. Ao aderir a esta lógica de dependência automaticamente damos um passo a romper com a lógica que se levanta como o nosso maior inimigo.

Ora, se não conseguimos vencer o nosso inimigo com nossas próprias forças...carecemos de salvação. A chave do entendimento para esta salvação está no fator “depender”. Viver consciente de que dependemos de algo maior que nós mesmos para viver.

Então a pergunta agora passa a ser: Depender de “Quem”?

O Cristianismo nos responde: Deus. Mas muito mais do que responder, o Cristianismo nos escancara o “como” devemos depender de Deus. Este “escancaramento” é despojado diante dos nossos olhos através do viver de Jesus, o Cristo de Deus. Jesus é o próprio Deus que se esvaziou e veio nos mostrar que a lógica correta a se buscar é a de viver consciente de que temos total dependência de Deus.

Ao aderirmos a esta lógica, aderimos ao reino de Deus. Esta é a proposta do Cristianismo. Ele nos convida a um olhar que vai além da certeza da morte e da incerteza de sua consumação. Um olhar que traz uma certeza absoluta sobre a certeza (repleta de incertezas) que é a morte. Uma certeza de que a morte não é o propósito final do ser humano. Uma certeza de que o ser humano foi projetado para viver em eternidade juntamente com Deus. Que a morte já não tem poder sobre àqueles que romperam com a lógica que se faz inimiga do nosso ser. Que ela foi vencida pelo próprio Deus na cruz do calvário. Sim, esta é a certeza que o Cristianismo nos remete: a de vitória sobre a morte. A certeza da vida eterna, com qualidade eterna, pois é uma vida ao lado do Eterno. Em outras palavras, a certeza da vitória sobre a morte nos faz viver sem temer a certeza da morte e seu incerto momento de concretização. Nos faz viver buscando, já aqui neste mundo, a qualidade de vida eterna, aderindo os valores do Reino Eterno de Cristo.

A morte é uma incógnita. Todos viveremos em eternidade. O fator chave é: viver em eternidade com Deus, ou viver a eternidade sem Deus? Deus é a Vida Eterna. Passar a eternidade com Ele é desfrutar dos valores do Seu caráter eternamente: Amor. Tudo fora de Deus, tudo que declara independência de Deus, é morte....morte eterna. Nisso consiste inferno e paraíso. O Paraíso, como já disse muitas vezes...é uma Pessoa: Deus. Onde Deus está exercendo Sua vontade...o Paraíso foi consumado. O inferno é um lugar...o lugar onde Deus não está...e onde Sua vontade não se faz presente.

Devemos buscar os valores do Reino. Valores da Eternidade. O Cristianismo nos convida a ter fé. Acreditar que nem Cristo Jesus  não há necessidade de se ter medo da morte, pois Ele à venceu por todos nós.

C S Lewis diz “aquilo que não é eterno é eternamente inútil”. Pessoas foram feitas para a eternidade, com uma qualidade de vida eterna em Cristo. Nisto consiste a nossa busca. Não pelo que Deus pode nos dar...mas sim pelo que Deus é em Sua essência: Amor Eterno.

Como certa vez ouvi o Pastor Ariovaldo Ramos dizer: “Salvação não é apenas sair do inferno, é permitir o céu entrar em nós, é permitir o Espírito Santo habitar em nós”.

Esta era a certeza do Apóstolo Paulo:

“porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro.”
Filipenses 1:21

Ao expandir a consciência do Reino de Jesus...o nosso ser se veste da eternidade...e o morrer passa a não ser motivo de medo...pois nisto consiste o Reino de Deus: “tomar a nossa cruz e ir após Aquele, que se fez Caminho para a eternidade: Jesus”.

A trupe do Teatro Mágico canta a poesia do "Anjo Mais Velho"...(o vídeo é uma versão da banda Versionalize):



"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minha alma daquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar..
Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minha alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar
Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar..
Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia o verbo a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só
Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar..

Os versos abaixo saltam aos olhos...

“E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar”

"O fim é belo, incerto... depende de como você vê"...

"Enquanto houver você do outro lado, aqui do outro eu consigo me orientar"

"Só enquanto eu respirar...Vou me lembrar de você...Só enquanto eu respirar..."

Se confiarmos em Deus, nos orientando nos valores do Seu Reino, e lembrarmos Dele em cada Kairos (tempo oportuno) de nosso viver...o fim nos remete ao “belo”...pois lhe trará o preenchimento da ausência que se faz presente em todo lugar. O infinito vazio se fará preenchido pelo Infinito Amor de Deus.

Que a certeza da vida eterna em Cristo Jesus seja o ponto de partida para vencer o medo imposto pela lógica da certeza da morte e da incerteza de sua chegada.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

PODER OU REDENÇÃO? EIS A QUESTÃO!

Atualmente, o relato impressionante de Mateus 14:23-33, onde Jesus caminha sobre as águas, é muito utilizado nas igrejas para explicitar o poder de Deus. Nesse sentido, realmente concordo, e creio ser indiscutível, que este é um grandes e extraordinário relato das Escrituras Sagradas que nos revelam como Jesus é realmente poderoso.

O problema é que sinto um grande anseio por parte dos Cristãos em desejarem dar passos sobre as águas. Você pode me perguntar: “Poxa, mas logo você que semanalmente escreve mensagens nos convidando a ser imitadores de Cristo?”.

Veja bem, quando nos comprometemos a assumir o papel de imitadores de Cristo, temos que levar em consideração as atitudes de Jesus como um todo. Não podemos isolar um ato de Cristo e achar que o mesmo é um fim em si próprio. O que estou querendo abordar aqui é o fato de que todas as atitudes de Cristo tinham um propósito muito maior do que o ato em si próprio.

Ao olhar as pessoas conduzindo louvores, momentos de adoração, cultos, celebrações conclamando pessoas a andar sobre as águas, vejo que o ato de Cristo é tirado do contexto.

Você deseja andar sobre as águas? Legal, bacana, tudo bem. Mas... por que você deseja andar sobre as águas?

Ainda que você argumente dizendo, as “águas” representam a “vida”, e andar sobre as águas é vencer as dificuldades da vida...eu ainda insisto na pergunta: Por que você deseja andar sobre as águas?

Ao responder esta pergunta, leve em consideração um outro questionamento:

Será que seremos cobrados por não ter andado sobre as águas ou por não termos nos arrependidos?

Vejo a igreja sendo muito mais convidada a andar sobre as águas do que ser convidada a se arrepender. Será que estamos no caminho certo?

O Caminho é Cristo. Ele é um convite a nos arrependermos e vivermos em submissão ao Pai. Este é o primeiro passo que devemos dar e repetir diariamente: arrepender-se. Não adianta desejar que o primeiro passo seja dado sobre as águas, sem antes dar um primeiro passo rumo a Cruz. O poder do cristão nasce do arrependimento. E este poder é o que resulta em amor.

Andar sobre as águas pode ser (e reconheço que é) um feito extraordinário para qualquer homem. Mas o extraordinário pode lhe levar em uma direção errada, se você não mirar o verdadeiro propósito do caminhar. Não adianta ter o “poder” para andar sobre as águas se você não souber para que direção deve proferir os passos.

Por isso que antes de sair dando passos sobre o “H2O” é necessário passar pela Cruz. Só Cristo nos indica o caminho certo.

Muita gente pega a escada certa para usar como recurso de escalada sobre o muro da fé. O problema é chegar no topo e descobrir que o muro no qual a escada foi “recostada” não era a escada da vida eterna.

Só podemos descobrir em qual muro devemos colocar a escada se assumirmos o compromisso de ir até a Cruz. A própria Cruz é o muro no qual a nossa escada deve ser reclinada. Nela encontramos o Messias. Nela encontramos o Ungido do Pai. O Cordeiro Santo que tira os pecados do mundo.

É muito mais atrativo imitar à Cristo dando passos sobrenaturais sobre as águas do que imitá-lo na crucificação. Somos tentados a desejar o “andar sobre as águas” antes de desejar “a crucificação do nosso eu”. O propósito primeiro que devemos buscar é o que nos proporciona os valores de vida eterna. O andar sobre as águas de Cristo havia diversos propósitos. Em um ponto de vista pessoal, o maior deles era o de questionarmos aquilo que assumimos como verdade. Era como se Cristo dissesse: “A sua verdade é que qualquer coisa sobre a água afunda. A Minha Verdade é que Eu Sou o Criador de Tudo e Tenho poder Sobre Tudo o que Criei. Só Eu posso salvar vocês desta condição de vida que vocês vivem, atolada na lama do pecado. E ai ...qual a verdade que você assume?”.

A igreja precisa acordar. Tem muita gente indo para o mar, para tentar flutuar sobre a superfície das águas, quando deveria estar indo para o calvário.

Sinto que Jesus irá voltar e que muita gente não dará a mínima para a Sua volta, pois estarão mais preocupados em conseguir andar sobre as águas. Queremos Jesus, ou queremos o poder de Jesus? Queremos ser como Jesus por causa da Sua santidade ou queremos ser como Jesus por causa do poder que Ele nos mostrou? Queremos poder ou redenção?

Que Deus nos de discernimento para entender os propósitos das atitudes que Cristo nos deixou, para que ao assumirmos o papel de imitadores de Jesus, o façamos conscientes de que os valores deixados por Ele vão além de um fim em si próprio, e visam o viver em eternidade juntamente com o Pai.