quarta-feira, 19 de junho de 2013

JOGUE FORA A AGULHA E A LINHA

Culto (que deveria ser Celebração) de Domingo. Igreja lotada. O Pastor diz: “ – Vamos Adorar ao Senhor”. A equipe de louvor então se levanta, cada um pega o seu respectivo instrumento e então começam a tocar um louvor. De domingo a domingo, a cena se repete. O mundo “gospel” invadiu os cultos. Transformou a adoração em produto. E muitos de nós, aderimos ao mercado, nos tornamos consumidores. O louvor se tornou a embalagem da adoração. O homem resumiu a adoração ao louvor. Fez dela um produto que possui prazo de validade, pois quando uma música sai de moda, e se torna enjoativa, logo a equipe tem que buscar novos louvores no mercado para que o culto seja atualizado. Da mesma forma, o “astro” Gospel se torna aficionado em gravar álbuns. E quando a sua música já está caindo nos “tops 10” das rádios evangélicas ele sai que nem um louco para ir a um estúdio gravar um novo álbum. A música gospel se tornou Baal. Idolatria. Antes a funcionária pública, o vendedor de carros, o motorista de ônibus, o caixa de supermercado ...louvavam a Deus no domingo, por amar a Deus. Hoje, os mesmos, louvam com propósito diferente: “$uce$$o”.

Confesso: já desejei estas luzes, já me iludi com isso. Já desejei fazer parte de “bandas” do meio gospel. Escrevia canções pensando que poderia mudar vidas, mas por trás disso tudo havia um “pinguinho” de vontade de tocar em “marchas para Jesus” e tantos outros eventos do meio gospel. Me faltava entendimento. Mas graças à Deus, hoje, posso dizer que sou liberto disso.

O mundo gospel é um ambiente de vaidade. Existem exceções. Mas são raras. Na frente do palco, o show é uma benção. Nos camarins, atrás dos palcos, o diabo deita e rola distribuindo invejas, orgulhos e manipulando tantas outras desgraças. Fico pensando em artistas famosos que dizem: “ – Me converti”. Então passam a dedicar a vida a ser um “Astro Gospel”. Penso: “ – Só trocou o estilo Musical”.

Martin Valverde, um cantor católico (que escreveu o lindo louvor "Ninguém te ama como eu") certa vez disse: "Se quer cantar para Jesus não busque a fama, busque a eternidade". E seguindo sua lógica, o mesmo diz: “Qualquer cantor pode fazer uma canção de amor, mas só Deus pode fazer com que o Amor seja feito canção”. 

Como sinto que falta isso no mundo evangélico. Pessoas buscarem a eternidade em seu modo de servir à Deus. Pessoas deixarem que Deus faça de Seu Amor uma linda canção em nossas vidas. 
Me lembro de certa vez, quando ainda era católico e tocava todo domingo na missa, a minha mãe recebeu um pastor em casa. Logo que entrei pela porta ela me apresentou ao pastor: “ – Este é meu filho, ele toca na igreja”. O pastor então disse: “ – Ah, então ele é um levita”. Na hora, sinceramente não entendi. Mas hoje, à luz do entendimento da Palavra, sinceramente, creio que ele foi bem infeliz no comentário. Por que será que as pessoas insistem em permanecer na primeira aliança? Por que se esquecem da segunda e definitiva aliança consumada por Cristo?

Essa é a realidade de muitas pessoas que são enganadas por pastores. Vivem na antiga aliança. Vivem sobre a lei de Moisés, sem ter Jesus como lentes de entendimento da mesma. Escute os louvores nas rádios e preste atenção nas letras. Veja os pastores pregando na televisão. Na grande maioria dos casos, a essência da mensagem está totalmente fora da boa nova de Jesus. Milagre, o Sobrenatural, se tornou natural. Parece que Deus se tornou um Pai de criancinhas mimadas que entra na loja de brinquedos e não sabem ouvir um não. Rolam no chão, esperneiam, até conseguirem o seu brinquedo, a sua benção.

No velho testamento, o homem construiu uma “imagem” de Deus. Vendo Deus que a imagem que o homem tinha construído sobre Ele era totalmente distorcida, Ele se esvaziou, desceu e veio, em Jesus, reconstruir a mesma. Por isso Jesus tantas vezes disse: “Ouvistes o que foi dito... Eu porém vos digo...”. Mas o homem insiste em reconstruir a “imagem” distorcida que ele tinha sobre Deus antes dos ensinamentos de Jesus.

Hoje, as instituições evangélicas estão lotadas de pastores que estão entregando aos fiéis, agulha e linha, e induzindo os mesmos a costurar novamente o véu rasgado por Jesus na Cruz do Calvário. E o pior: as pessoas estão aceitando. Fazem isso por que não pensam. Possuem uma fé estática. Paralisada. Estacionada em um evangelho deturpado. É como se no curso de batismo, o irmão recebesse o ensinamento: Para ser cristão é proibido pensar.

Será que adorar é simplesmente tocar louvores? Será que todas as canções do mundo gospel são louvores? Será que vale a pena ser levita? Será que vale à pena ser um astro gospel? Será que a minha adoração é um produto? Será que vale a pena ser evangélico?

Nem todo evangélico é cristão. Nem toda música que fala de Deus é louvor. Nem todo louvor evangélico é uma adoração à Deus. Nem todo cantor gospel é um adorador de Deus. Nem toda igreja evangélica é igreja de Cristo. Nem todo templo é casa de oração. Nem todo pastor prega a aliança definitiva de Cristo. Nem todo dízimo é investido na obra do Senhor. Nem todo milagre que ocorrem nas igrejas evangélicas é feito por Deus. Nem toda vitória pregada nas tvs são vitórias. Nem toda libertação pregada na igreja evangélica lhe tornará livre em Cristo Jesus.

O que você tem em mãos? A misericórdia de Jesus ou agulha e linha? A graça de Jesus ou agulha e linha? O Amor de Jesus ou agulha e linha?

Estamos adorando a Deus ou costurando novamente o véu do templo?

Crer é pensar. Ser Cristão é pensar os pensamentos de Cristo. Pensar como Jesus.

Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições
A extravagâncias vem de todos os lados
E faz chover profetas apaixonados
Morrendo em pé rompendo a fé dos cansados
Com suas canções
Estar de bem com vida é muito mais que renascer
Deus já me deu sua palavra
E é por ela que ainda guio o meu viver
Reconstruindo o que Jesus derrubou
Re-costurando o véu que a cruz já rasgou
Ressuscitando a lei pisando na graça
Negociando com Deus
No show da fé milagre é tão natural
Que até pregar com a mesma voz é normal
Nesse evangeliquês universal
Se apossando do céus
Estão distantes do trono, caçadores de deus
Ao som de um shofar
E mais um ídolo importado dita as regras
Pra nos escravizar.
É proibido pensar (5x)
Procuro alguém pra resolver meu problema
Pois não consigo me encaixar neste esquema
São sempre variações do mesmo tema
Meras repetições
Meras repetições
É proibido pensar

Que o Senhor não tire sobre nós o Seu amor e a Sua misericórdia. Que Ele não tire sobre as nossas vidas a Sua Graça concedida através de Cristo Jesus.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

ENTRE O ATO DE PERDOAR INFINITAMENTE E O PERDÃO REVOGADO

Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? "
Jesus respondeu: "Eu lhe digo: não até sete, mas até setenta vezes sete.
"Por isso, o Reino dos céus é como um rei que desejava acertar contas com seus servos.
Quando começou o acerto, foi trazido à sua presença um que lhe devia uma enorme quantidade de prata.
Como não tinha condições de pagar, o senhor ordenou que ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que ele possuía fossem vendidos para pagar a dívida.
"O servo prostrou-se diante dele e lhe implorou: ‘Tem paciência comigo, e eu te pagarei tudo’.
O senhor daquele servo teve compaixão dele, cancelou a dívida e o deixou ir.
"Mas quando aquele servo saiu, encontrou um de seus conservos, que lhe devia cem denários. Agarrou-o e começou a sufocá-lo, dizendo: ‘Pague-me o que me deve! ’
"Então o seu conservo caiu de joelhos e implorou-lhe: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei’.
"Mas ele não quis. Antes, saiu e mandou lançá-lo na prisão, até que pagasse a dívida.
Quando os outros servos, companheiros dele, viram o que havia acontecido, ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que havia acontecido.
"Então o senhor chamou o servo e disse: ‘Servo mau, cancelei toda a sua dívida porque você me implorou.
Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você? ’
Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia.
"Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão".
Mateus 18:21-35

O Pastor Ariovaldo acerta ao afirmar que relacionamentos só se sustentam à base do perdão. Ele acerta ainda mais ao separar um pedido de “perdão” de um pedido de “desculpas”, dizendo que quando pedimos perdão, pedimos para ser redimidos de um erro incalculável, onde não se pode mensurar o dano que causamos a outra pessoa e que quando pedimos desculpas, estamos pedindo para ser retirada uma culpa de nós (“des”...retirar, “culpar”...culpa), um dano “calculável”. Em outras palavras, num exemplo simples, pisar no pé de uma pessoa é motivo para um pedido de desculpas, matar o filho da mesma é motivo de pedido de perdão.

O teólogo Tim Keller afirma que perdoar é o mesmo que assumir o dano. Em outras palavras, sempre que há um dano dentro de um relacionamento, alguém terá que assumir dano, ou a pessoa que o causou ou  a pessoa que foi prejudicada. É mais ou menos assim, como exemplifica o Pastor Ricardo Agreste: Imagine que lhe convido para ir em minha casa. Na hora de você ir embora, você engata erroneamente a marcha de seu carro e, sem querer, da ré e derruba a cerca da minha casa. Tenho duas opções: primeira, fazer três orçamentos e lhe passar, para que você pague o conserto ou segunda, dizer um “não foi nada, não se preoculpe” e arcar com o custo do conserto. Ou te passo o custo do conserto, ou assumo.

Esta parábola contada por Jesus em Mateus 18, nos remete a um cenário de uma dívida absurda, onde jamais o servo teria condições de pagar ao rei. Um cenário onde só o perdão se encaixaria. Muitos teólogos dizem que a enorme quantidade de prata mencionada na parábola significava ”60 milhões de dias de trabalho” ou, se preferir, “165 mil anos de trabalho”. Uma dívida impagável. Assim como a nossa dívida com relação à Deus. Uma dívida chamada desobediência.

A parábola nos diz que o Rei perdoou a dívida impagável do seu servo. Mas o mesmo, não agiu da mesma forma com um outro homem que lhe devia 100 denários. Ao pé da letra, o mesmo homem que provou de um perdão e uma misericórdia incalculável endureceu o seu coração e não foi capaz de agir da mesma forma com um homem que lhe devia 100 denários. Agiu de forma dura para com o mesmo, sem misericórdia.

A palavra de Deus nos diz que o Rei, ao saber disso, chamou novamente o seu servo e lhe revogou o perdão. Entregou o homem aos torturadores, até que pagasse toda a dívida: 60 milhões de dias de trabalho.

Agora, sem desembaraços: O Rei da parábola é Deus. O servo somos nós e o conservo é o nosso próximo. E ai vem a pergunta: Você já parou para pensar nisso, que Deus pede devolta o perdão concedido? Que Deus revoga o perdão?

Seria algo injusto? Pedir devolta um presente (no caso o perdão) que já foi dado?

Vejamos...

Alguns anos atrás, um homem do Estado de Kentucky, EUA, chamado Lucien Young, soube que um velho amigo dele, Samuel Holmes, se encontrava numa penitenciária e ainda tinha mais oito anos de pena por cumprir. Dirigindo-se à prisão, Lucien perguntou ao carcereiro se poderia conversar com seu velho amigo. Recebeu permissão. Por quase duas horas os dois conversaram e riram, recordando algumas de suas travessuras da juventude.
Posteriormente Lucien, que era bom amigo do governador Blackburn, foi à mansão do Executivo e pediu que o governador perdoasse o seu amigo. O governador pediu o prazo de uma semana para pensar no assunto. Quando a semana terminou, Lucien retornou ao escritório do governador.
- Aqui está o perdão - disse o governador, estendendo o documento a Lucien. - Mas antes de entregá-lo a Samuel, quero que você converse mais algumas horas com ele. Se ao final da conversa você achar que ele deve mesmo ser perdoado, eu lhe concederei a liberdade condicional, desde que você se responsabilize.
- Entendido - disse Lucien.
Lucien correu à prisão e mais uma vez obteve licença para conversar com seu amigo. Durante o transcorrer da visita, Lucien perguntou casualmente:
- Sam, quando você sair daqui, eu gostaria que se tornasse meu sócio. Concorda? Posso até ver se consigo tirá-lo daqui antes do término de sua pena.
Sam ficou em pé e caminhou um pouco de um lado para outro. Quando voltou a falar com Lucien, disse:
- Está bem. Mas antes de qualquer outra coisa, terei de resolver um negócio.
- Que negócio, Sam?
- Primeiro, vou matar o juiz e depois a testemunha que me mandou para cá.
Lucien saiu da prisão e devolveu ao governador o documento do perdão.

A parábola contada por Jesus em Mateus 18 vai do versículo 23 ao 35. Mas fiz questão de manter os versículos 21 e 22, onde há um breve diálogo entre Pedro e Jesus para dizer algo que passa imperceptível a nós.

O diálogo é:

Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: "Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? "
Jesus respondeu: "Eu lhe digo: não até sete, mas até setenta vezes sete.

Este é o ponto de partida para a parábola descrita por Jesus. Pedro insinua a Cristo uma dúvida: “Até onde vai a tolerância de perdoar uma pessoa que me ofende?” Mas o faz com uma resposta pronta: “Sete vezes?”. Pedro está dizendo subliminarmente na sua pergunta que o perdão deveria ser condicional. É como se ele dissesse: Jesus, perdoar tem limite não tem?

Jesus responde 70 x 7 numa referência contrária ao conceito de Lameque (Genesis 4:24) que dizia que a sua vingança seria 70 x 7. E o calculo aqui, que resulta em 490, é um símbolo de infinitas vezes. Enquanto Lameque diz que a sua vingança era infinita, Jesus pregava que o perdão deveria ser concedido ao dano incalculável infinitas vezes. E mais que isso, ele “destrincha” pensamentos em uma parábola para dizer que esse perdão deve ser como um efeito dominó, onde um deve perdoar o outro, pois se um é perdoado e o mesmo não perdoa, o seu perdão será revogado.

Agora pense: Carecemos de perdão pois causamos um dano à Soberania de Deus em desoberder-lhe e nos declararmos deuses de nós mesmos. Esta é a dívida de 165 mil dias de trabalho que cada ser humano tem com o Rei. Deus poderia simplesmente dizer: assumam a responsabilidade deste dano e queimem no inferno. Mas não, Deus assumiu o dano causado por nós, para Si. Um dano que vai além de uma ré que derrubou uma cerca na casa de Deus. Um dano irreparável. Tão irreparável que custou a vida do próprio Deus, Jesus, o Deus Filho.

Jesus é o resultado da equação do perdão: 70 x 7. Jesus é a infinita misericórdia. O resultado expícito desta equação do perdão 70 x 7 é o clamor da cruz que sustenta tudo o que chamamos de vida: “Pai, perdoa-os, pois eles não sabem o que fazem”. Jesus se fez esta equação. E o resultado dela foi a cruz. Um preço incalculável. Foi um “perdôo vocês” concedido por Deus e não um “desculpo vocês”.

Jesus nos mostrou como o perdão funciona. Sejamos imitadores Dele. Façamo-nos também resultados da equação do perdão 70 x 7.

A oração ensinada por Jesus, a famosa oração do Pai nosso, diz: “Perdoai assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. Em outras palavras, estamos dizendo: “Pai, me perdoa com a mesma misericódia que perdoei fulano que pisou na bola comigo”, “Pai perdoa eu na mesma medida em que perdoei o assassino do meu filho”, “Pai, perdoa eu com a mesma coerência que usei para perdoar o meu marido que me traiu”, “Pai, me perdoa com a mesma intensidade que perdoei o meu pai que bate na minha mãe”...enfim,  será que realmente a gente quer ser perdoado na mesma medida que consedemos perdão?

Perdão é assumir a responsabilidade do dano que foi causado para si, provendo vida para quem causou o dano. Ora, não foi isso que Deus propôs para nós na Cruz?

Jesus nos fez um estorno com relação à morte. Matou a morte com sua morte. Depositou vida para nós. Se não formos como Ele, misericordiósos e piedosos, oferecendo o perdão infinitamente, sempre, recebemos um estorno com relação à vida, ao perdão concedido por Deus na Cruz.

Creio que Deus tem revogado, estornado, pedido devolta... muito perdão por ai. Creio que Ele faz isso com o coração entristecido. Mas o faz. A boa notícia é que antes de revogá-lo, Ele o concede. Antes de revogar perdão, Ele perdoa. E esta é a oportunidade que temos, de perdoar o próximo para seguirmos sendo perdoados por Deus. Perdoar para que sejamos perdoados. Em outras palavras: Perdoar 70 x 7, Perdoar Sempre.

Que o Senhor nos auxilie neste processo tão difícil que é perdoar.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

ASSUMINDO A NATUREZA DO MESTRE

Certa vez um Mestre Oriental viu um escorpião que se estava afogando e decidiu tirá-lo da água. Quando o fez, o escorpião picou-o. Como reação à dor, o Mestre soltou-o e o animal caiu novamente na água. Então novamente lá estava o escorpião se afogando. O Mestre tentou tirá-lo outra vez, e o cenário se repetiu. Novamente o escorpião picou-o, e com a reação a dor, o Mestre o soltou e ele caiu mais uma vez na água. Perto dali estava um homem observando tudo ou que estava acontecendo. O mesmo se aproximou do Mestre e disse: “ - Perdão, mas tenho que dizer, você é muito teimoso. Não entende que cada vez que você tentar tirá-lo da água ele o picará?”. O Mestre então respondeu: “ - A natureza do escorpião é picar e isso não muda a minha natureza, que é ajudar!”. Então, com a ajuda de um ramo, o Mestre retirou o escorpião da água e salvou-lhe a vida.

Você já parou para pensar se Deus desistisse de nos salvar simplesmente por considerar a nossa natureza?

Imagino que nesta história somos como escorpiões se afogando. Deus está tentando nos salvar da morte e a gente está lutando contra Ele. O demônio aparece ao lado de Deus para argumentar dizendo “Por que insiste em salvar essas pessoas que só te machucam?”. E Deus responde: “ - A Minha Natureza é o Amor, vou salva-los mesmo sabendo a natureza deles.”

A nossa salvação não tem nada a ver com “o que a gente é”, mas tem muito a ver com o que Deus é. Somos seres corrompidos e venenosos como escorpiões. O veneno que corre em nós se chama pecado. Deus ao tentar nos retirar do lago de fogo recebeu nossas picadas. Isso aconteceu na Cruz do Calvário. Lá, Jesus levou sobre si o veneno de toda a humanidade. E fez isso voluntariamente. O galho estendido pelo Mestre ao escorpião é a Cruz do Calvário. Só por ela podemos ganhar a vida. Só por meio da Cruz saímos do lago da morte.

Não por merecimento. Por que somos merecedores do inferno. Não por boas obras, para que ninguém glorie-se em si, mas sim por Graça Divina, concedida pela natureza do caráter de Deus: o Amor.

Deus jamais mudará a natureza Dele por causa da nossa natureza. Ele também jamais deixará que o acusador dite as Suas atitudes. Ainda que o demônio diga que nós, escorpiões, somos rebeldes e iremos picar a mão do Mestre, Deus não irá desistir jamais de agir conforme a Sua Natureza. Nisto consiste a o favor que jamais mereceremos: Deus ser simplesmente quem Ele é e agir para conosco de acordo com a essência de Seu caráter e não de acordo com o que nós merecemos, ou seja, a morte.

Paulo nos diz: Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. 2 Coríntios 5:17

Isso é extraordinário, pois Paulo está dizendo para todos nós que Jesus, além de nos tirar da situação de morte, Ele nos provê a possibilidade de uma nova natureza através do Seu próprio Espírito Santo. Em outras palavras, é como se o Mestre, ao nos tirar do lago da morte, nos dissesse: “ – A sua natureza, escorpião, é picar, a minha é o amor. Se você, escorpião, morrer para si e nascer novamente do meu Espírito Santo, deixará para trás a sua natureza venenosa e assumirá minha natureza que é o Amor em sua pura essência”. Cristo nos doa a Sua Natureza através de Seu Espírito Santo. Expandir a nossa consciência em pró deste novo viver, desta nova natureza, é renascer em Cristo. Assumir a natureza de Cristo é assumir uma vida de acordo com o Reino que o próprio Jesus anunciou. Por isso que em João 3.5 o próprio Jesus disse: “Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus”.

Jesus muda a nossa natureza. Só Ele é capaz de fazer isso.

E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis.
Apocalipse 21:5

Permita que Ele faça isso em ti. O Espírito Santo de Jesus se move em seu coração. Busque expandir a sua consciência para esse entendimento. Esse é o caminho para renascer em Cristo. Esse é o caminho para assumir a natureza que Jesus já te disponibilizou por amor.

Por que insistimos em picar a mão do Mestre que deseja nos salvar?

Obrigado Senhor por não desistir de nós, ainda que a gente, por diversas vezes, resista ao Seu Amor e Favor que jamais merecemos e mereceremos. Louvado seja o Seu Nome Jesus de Nazaré.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O DIA DA NOIVA

“Conta-se que por volta do ano 250 A.C, na China antiga, um príncipe da região norte do país estava às vésperas de ser coroado imperador mas, de acordo com a lei, deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua proposta.

No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia, numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio. Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.

Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao saber que ela pretendia ir à celebração, e indagou incrédula: 

- Minha filha, o que você fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta ideia insensata da cabeça; eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura. 

E a filha respondeu: 

- Não, querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar pelo menos alguns momentos perto do príncipe, isto já me torna feliz.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, inicialmente, o príncipe anunciou o desafio: 

- Darei a cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.

A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizava muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos, etc... 

O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura a sua semente, pois sabia que se a beleza da flor surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado. 

Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido. Dia após dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor. Por fim, os seis meses haviam passado e nada havia brotado. Consciente do seu esforço e dedicação, a moça comunicou à mãe que, independentemente das circunstâncias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além de mais alguns momentos na companhia do príncipe. 

Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como todas as outras pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, das mais variadas formas e cores. Ela estava admirada, nunca havia presenciado tão bela cena.

Finalmente chega o momento esperado e o príncipe observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção. Após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa. As pessoas presentes tiveram as mais inesperadas reações. Ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado. Então, calmamente o príncipe esclareceu:

- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz. A flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.”

Da mesma forma como o príncipe desta parábola chinesa, Jesus, o noivo, deseja ter em Seus braços a Igreja Santa e Pura, Sua Noiva. Penso que a Noiva que Jesus virá buscar é aquela que permanecerá firme aos Seus valores. A Noiva escolhida por Jesus será aquela que se conservará na consciência de que o Noivo busca corações sinceros, despidos de si, ou seja, íntegros. Corações honestos que perseveram nos valores de Deus por amor ao Noivo, que é o próprio Deus.

O Noivo muitas vezes nos prova, como fez com Jó. Faz isso por amor, por ser justo.

Existem “candidatas a noiva”, ou se preferir, igrejas, que acham que podem enganar o Noivo. Mas o Noivo tem total ciência e entendimento sobre a situação. Ele sabe em que tipo de cenário as candidatas a noiva estão presentes.

Talvez hoje tenhamos em mãos uma semente estéril a ser cultivada. Persevere em honestidade. . Não se corrompa. Se surgir em seu coração um a vontade em trocar a semente que o Noivo lhe deu por alguma outra, não troque. Não abra mão daquilo que o Noivo lhe deu em suas mãos.  E se, perseverando em honestidade nos valores de Deus, você simplesmente tiver em mãos um vasinho sem flor para apresentar ao Noivo, faça-o. Apresente-o consciente de que você fez, com carinho, dedicação, comprometimento e sinceridade, tudo aquilo que o Mesmo lhe pediu. Faça isso com o coração despido. Faça isso com o coração honesto. E deixe que o Noivo faça a parte Dele. A flor a ser avaliada pelo Noivo está no lado esquerdo do seu peito, é o seu coração.

É por isso que Jesus recebe apenas adoração que nasce em Espírito e em Verdade. O Noivo busca por uma Noiva apaixonada, que não se corrompe e permanece no primeiro amor. O Noivo busca uma Noiva de coração puro, que seja capaz de viver eternamente o amor em sua essência pura.

O dia do juízo final, será parecido com o que conhecemos hoje como “o dia da noiva”. O dia da noiva é quando a mesma vai para o salão de beleza e passa o dia inteiro se cuidando para o noivo. Corta e arruma o cabelo, cuida da pele, das unhas, de tudo. Sai do salão “zero bala”, perfeita para se encontrar com o Noivo. E isso é motivo de felicidade tanto para a noiva quanto para o noivo. No dia do juízo final, quando todos serão julgados, será o dia da noiva para a humanidade. A Igreja será preparada para estar com o Noivo. Preparada no sentido de que tudo o que não é para estar na Noiva será descartado no inferno. Pessoas corrompidas pela lógica da ausência do bem serão descartadas. Irão para o lixo (inferno) como pedaços de unhas da mão da noiva que foram podadas. Serão descartadas como pedaços do cabelo da noiva que foram cortados por serem “pontas duplas”. A Noiva, humanidade eleita por Cristo para viver com Ele na eternidade, ficará perfeita para se encontrar com o Noivo.

Que o nosso coração não se corrompa com a lógica do mundo. Que o nosso coração busque os valores do Reino de Deus para permanecermos firmes no propósito único para que fomos criados: sermos a Noiva, Morada Viva, de Jesus de Nazaré, o Messias, o Noivo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

QUANDO FALTAM PALAVRAS PARA SE EXPRESSAR A DEUS

Muitas vezes quando vou orar, sinto que não consigo achar as palavras exatas para me expressar. Quando isso acontece, acabo minhas orações com a sensação de que faltou algo. Então penso, será que Deus entendeu realmente o que quis expressar!? Deus tem todo o entendimento e é óbvio que Ele sabe de Tudo. Mas a sensação, não da para negar, vem e fica presente.

Bom é saber que Deus, em Sua Soberania, é conhecedor de toda a linha do tempo: futuro, passado e presente. Para Ele não existe linha do tempo. E neste sentido, é impossível decepcionar à Deus, pois Ele tudo sabe. Como decepcionar alguém que já sabe o que vai acontecer?

Acho necessário abrir um parêntese aqui...

Isso não é justificativa para viver de qualquer maneira e muito menos orar de qualquer jeito. Não, isso está longe de ser um entendimento chave para viver com “desdém”, pois Deus já sabe o que vai acontecer. Pelo contrário, devemos viver o bem para que nossas vidas venham a cumprir os pensamentos bons que Deus tem a nosso respeito.

...fecho parêntese.

Mas dentro deste contexto, é preciso reconhecer que somos falhos em coisas que jamais passa pela nossa mente. Somos falhos em...

...orar
...louvar
...adorar
...agradecer
...receber bênçãos
...abençoar
...amar
...perdoar
...servir
...se arrepender
...e tantas outras coisas que não admitimos!

Deus sabe disso. Sabe que somos falhos até nessas coisas. Por isso que, consciente disso, Deus nos ajuda através do Espírito Santo:

E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis.
E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos.
Romanos 8:26-27

Deus muito mais que ouvir louvores e orações, ouve sentimentos. Deus muito mais que ler a mente e o pensar das pessoas, lê o coração e seus sentimentos. Deus discerne sobre corações e sentimentos. Deus, muito mais do que enxugar lágrimas, lê lágrimas. Muito mais que ver um ato de gratidão, Deus lê a gratidão. Deus muito mais que ver a adoração, sente a adoração e tudo o que move a mesma.

Já se deparou com momentos em que a gratidão a Deus é tanta que não há palavras para expressar? Momentos em que dá vontade de sair pulando de alegria no meio da multidão, cantando para Deus sem se importar com o que os outros vão pensar? Momentos em que as palavras não são suficiente?

Então, Deus lê o exato sentimento. Lê o coração.

Da mesma forma, já se deparou com um momento em que você se sente humilhado, injustiçado e esquecido em um vale escuro, e faltam as palavras para falar com Deus? O desejo está presente para você se expressar, mas você não consegue.

Então, Deus lê o exato sentimento. Lê o coração. Lê a alma. Lê o nosso espírito.

E sabe como Deus lê? Lê com o “sentir do Seu coração”. Deus assume os Seus sentimentos em momentos assim, quando faltam as palavras para se expressar. Ele se torna imerso em nós.

Jesus de Nazaré é um Deus extraordinário! Conhecedor de tudo. Um Deus que se importa. Que se alegra junto. Que se entristece junto. Que tem pensamentos bons a respeito de Seus filhos. Que ama cada um de Seus filhos mesmo conhecendo suas falhas. Que não faz acepção de pessoas. Recebe todos de braços abertos. Um Deus que se faz presente para nos ajudar a se relacionar com Ele mesmo, pois sabe que até nisso precisamos ser ajudados. Por isso que Sua graça e misericórdia se renovam e correm atrás de cada um de nós todos os dias.

Quando as palavras faltarem, no louvor, na oração, na adoração...apenas deixe o coração sentir. Quando não tiver palavras para se expressar...siga sentindo...arrependimento, gratidão...apenas sinta. Deus fará a parte Dele. Ele lerá o seu coração através do sentir do Coração Dele.

Como descrever, como explicar
O amor que vai de leste a oeste
Pra me Resgatar
Tu me conheces bem e sabes quem eu sou
Não há como me esconder de ti, tu sempre sabes onde estou

É de coração tudo o que eu fizer
Um hino de louvor a Jesus de nazaré
E se as palavras não mostrarem como é grande a minha gratidão
Mesmo assim senhor receba o meu louvor, é de coração!

Não vou esquecer, não vou desprezar
O amor que tu me revelaste pra me resgatar
Tu me conheces bem e sabes quem eu sou
Não há como me esconder de ti, tu sempre sabes onde estou


Que o nosso coração, a nossa alma, o nosso espírito, o nosso ser, o nosso viver seja uma leitura agradável à Deus.

COMO CRIANCINHAS QUE VESTEM AS ROUPAS DO PAI

Por muitas vezes já peguei meu filho, João Pedro, usando minhas roupas ou calçando os meus sapatos. Seus pezinhos, número 28, mais que sobram no meu sapato, número 41. Da mesma forma, quando ele coloca minha blusa, as mangas sobram e ela praticamente cobre ele por completo. Quando vejo uma cena desta, fico muito feliz, pois além de ser engraçado, sinto que meu filho está se identificando comigo.

Claro que esta não é uma particularidade do meu filho. Quantas crianças brincam com as roupas dos pais. Quantas crianças gostam de vestir a roupa da mãe ou do pai e imitá-los.

Dentro deste pensamento, te pergunto: Já parou para pensar como seria se vestir com as vestes do Pai Celestial?

As mangas da blusa de Deus é infinitamente mais longas do que nossos braços. Sobrariam infinitamente. Suas “chinelas havaianas”, seus sapatos e tênis, teriam espaços para caber infinitos pés com o tamanho do nosso. Somos tão pequenos que qualquer peça de vestimenta do Pai Celestial sobraria infinitamente.


Jesus, eu quero ficar Contigo
Eu quero ser Teu amigo
Quero comer no Teu prato
Calçar os meus pés nos Teus sapatos
E arrastar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
E arrastar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
Jesus, eu quero muito Você
Pegar Tuas sandálias e esconder
Esconder pra Você não sair
pois quero estar perto de Ti
E Te abraçar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
E Te abraçar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
Jesus, eu quero deitar no Teu colo
Te contar tudo, tudo o que sei
Descansar recostado em Teu peito
Ouvindo o Teu coração
E me acalmar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
E me acalmar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
Jesus, eu quero vestir Sua camisa
Com as mangas maiores que meus braços
Correr pela casa ao Teu encontro
E me abandonar no Teu abraço
E Te abraçar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
E Te abraçar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
Eu quero te abraçar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
Te abraçar
Lá, ra, lá, ra, lá, ra, lá, lá
Preciso tanto de Ti
Tanto, tanto, tanto
Quero ficar contigo
Meu Jesus
Quero Te abraçar...
Quero Te tocar...

Não passamos disso, crianças ansiosas pelo colo de Deus. Crianças ansiosas pela presença do Pai. Crianças que desejam ter intimidade com o Pai. Trocar amor.


Creio que além de se vestir das vestimentas de Deus, devemos se vestir propriamente Dele. Deus deve ser a nossa veste.

Devemos nos vestir de Jesus para que sejamos como Ele. Vestir os olhos de Cristo, para que vejamos como Ele. Vestir os ouvidos de Cristo, para ouvir como Ele. Vestir a boca de Cristo, para falar como Ele. Vestir o pensar de Cristo, para pensar como Ele. Vestir a lógica de Cristo, para agir como Ele. Vestir os braços de Jesus, para abraçar como Ele. Vestir as pernas de Jesus para caminhar como Ele. Vestir todos os sentidos de Jesus, para sentir como Ele. Se vestir com o coração de Jesus, para amar como Ele. Vestir-se por completo de tudo o que Jesus é, para que sejamos como Ele.

Devemos rasgar, não simplesmente nossas vestes, mas todo o nosso “eu”. Devemos nos despir. Ficar nu. Ficar “nu” de nosso “eu” para que o Pai vista-nos com o “Eu” de Jesus. Para que Ele nos vista com a Sua Graça.

Ouse ficar "nu" na Presença de Deus. Esvaziado do seu "eu".


Dá-me teus olhos quero ver
Dá-me tuas palavras pra falar
Como tu quero ser.
Dá-me teus pés pra te seguir
Dá-me teus anseios para sentir
Como tu quero ser.
Dá-me tudo o que preciso
Para ser como tu
Dá-me tua voz, teu sentimento
Todo o meu tempo é para ti
Mostra o caminho que devo seguir
Dá-me teus sonhos, teus desejos
Teus pensamentos, teu agir
Te dou minha vida pra te servir.
Deixa-me ver o teu querer
Dá-me tua graça, teu poder
Dá-me o teu coração (Senhor)
Deixa-me ver teu interior
Pra ser transformado por teu amor
Quero o teu coração.

Temos que ser como “criancinhas” (afinal, não passamos disso) que pegam as vestimentas do Pai e se vestem para provocar alegria. Criancinhas que fazem isso pois se identificam com o Pai. Criancinhas que fazem isso por que amam o Pai. Que se sentem seguras ao ver o quão maior é o tamanho da manga blusa do seu pai com relação ao tamanho do seu braço. Criancinhas que ao ver que o braço do Pai é maior percebem que dependem Dele e têm a consciência de que este Pai é amoroso e jamais irá deixar de cuidar delas.

Senhor, muito obrigado por ser tão amoroso com cada um de nós. Suas mangas são infinitamente mais longas do que o meu braço. Obrigado por nos fazer perceber isso, que somos infinitamente pequenos. Praticamente “nadas” perante a Ti. Agradeço a Ti por ter-nos criado assim, pequenos, para que a Tua Glória seja exaltada. Obrigado Pai, pois ainda que sejamos tão pequenos, Tu não se esquece de nós!

Que Deus nos abençoe grandemente nos tornando cada vez mais pequenos, para que Ele seja exaltado.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

JESUS CRISTO, MAIS UM MOTOBOY MORTO NA MARGINAL PINHEIROS

Nossos ouvidos, olhos e demais sentidos estão rodeados de tanta desgraça que cada vez mais é difícil ter a percepção da Presença de Deus em nossa rotina. Ao invés do homem se tornar agente da Graça de Deus, o mesmo segue insistindo na lógica da queda (desobediência à Deus) e segue vivendo como agentes da desgraça.

Isso não é uma exclusividade do nosso tempo. Se bem que nos dias atuais, com os meios de comunicação encurtando fronteiras, a percepção da desgraça veicula muito mais rápido.

Olhemos para a época de Cristo. Em sua época, morte de cruz era algo muito comum. O povo judeu já estava acostumado com esse tipo de morte. Tanto que ao se tornar massa de manobra nas mãos dos fariseus, o povo gritou “crucifica-o” como se estivesse pedindo para que um técnico de futebol colocasse em campo um craque que até então estava no banco de reservas. E detalhe, a mesma multidão que gritava “crucifica-o” era a mesma que tinha exaltado Jesus ao vê-lo entrar em Jerusalém montado em um jumentinho.

Pense: nos dias atuais, Lucas, Mateus, Marcos e João, os 4 evangelistas seriam a “grosso modo”, meio que, blogueiros, relatando os acontecimentos de fatos a um determinado assunto. No caso, relatando os acontecimentos e as reações de uma comunidade perante a um homem que se dizia ser o Deus encarnado.

Hoje, ao lermos os evangelhos, temos a luz do entendimento dos acontecimentos. Interpretamos os evangelhos com o discernimento de que os mesmos foram inspirados pelo Espírito Santo, assim como tantos outros textos das Escrituras Sagradas. Mas imagine você, na época de Jesus, sendo fruto de todos os costumes da cultura judaica, se deparando com todos os acontecimentos a olho nu, e ainda, acompanhando em uma lan house de Jerusalém, lendo o blog de Lucas (ou de João, Marcos, Mateus), será que seus sentidos estariam sensíveis à ponto de perceber quem realmente era Jesus?

Será que a notícia estampada na “Folha de Jerusalém” dizendo “3 homens foram crucificados nesta sexta feira”, seria perceptiva aos seus sentidos? Ou será que ela soaria como simplesmente um dado estatístico como uma notícia dos dias atuais “3 motoboys morreram nesta manhã na Marginal Pinheiros”?

Como nós conseguimos matar o filho do próprio Deus? Como não conseguimos identificar que Jesus era o Deus Vivo? Como alguém que só agia partindo do amor, alguém que não poderia fazer mau algum, um homem que dava a outra face do rosto quando tomava uma bofetada, poderia ser digno da Cruz!?

Ele se entregou, isto é fato. Mas em paralelo, nós o julgamos, e o condenamos. Ai nos achamos melhores que os homens relatados nos evangelhos e esquecemos que a nossa natureza é exatamente igual.

O Pastor Ricardo Gondim por diversas vezes já bateu na tecla: “Ninguém dorme bom e acorda assassino”. Em outras palavras, ninguém dorme bom e acorda mau. O homem é quem se auto permite alimentar a sua própria natureza caída. Começa com uma mentira aqui. Depois outra ali. Então passa a roubar. Vai dando vazão à sua natureza caída. Vai dando fluxo ao maligno. O processo vai seguindo. Então logo o homem se vê gritando: “Crucifica-o”. Afinal Jesus vai ser apenas mais um número nas estatísticas da “Folha de Jerusalém”. Jesus vai ser apenas mais um motoboy que morreu na Marginal Pinheiros.

O pouco de bondade que há em nós vem de Deus. É um empréstimo de Deus. A nossa natureza maligna tenta roubar esta bondade. A nossa natureza tenta sufocar esta bondade. É um processo que, diariamente, se faz presente na vida do homem. Temos que lutar contra isso. Trocar a nossa natureza pelos valores do Reino de Jesus Cristo. Trocar o nosso “eu” por Jesus. Submissão à Jesus.

Hoje, quando vemos as notícias achamos que o mau é o que impressiona. Mas de fato o mau é a lógica natural do mundo. O que é ilógico neste mundo é o bem. Nós é quem invertemos as coisas. Invertemos ao aderir a rebelião de satanás. Então achamos que o bem é a natureza deste mundo e que o mau é motivo para nos deixar espantados. Mas é justamente o contrário. O bem é que é motivo de espanto. Pois o bem é cada vez mais raro. Ele luta para se sobressair em um ambiente tão maldoso como é este em que vivemos. As notícias não chocam mais. Quando chocam, é simplesmente por uma “variável” que se fez diferente dentro da desgraça. Mas se pergunte, ao ouvir um repórter dizendo, “Bandidos matam mais um policial na zona sul de São Paulo”, você consegue perceber sua indiferença, por tanto ouvir a mesma notícia diariamente? É uma mescla de medo com o costume. O medo esta presente, mas amo mesmo tempo a sensação do “isso é a rotina de São Paulo” está presente.

O “bem” não é notícia, mas deveria ser, pois o bem é o ilógico em nosso mundo. É como alguém já disse, se torcer o jornal “diário popular” é capaz de escorrer sangue.

É por isso que esperamos a volta de Jesus Cristo, pois Ele trará Novos Céus e Nova Terra, um lugar que não haverá mais lágrimas. Um lugar que não haverá mais dor e nem choro se ouvirá. Não por que este lugar já estará simplesmente designado assim. Mas sim por que Neste Lugar Jesus estará presente. Presente explicitamente. E ali será exercida a Sua lógica de bondade em Plenitude.

Jesus não foi e não é uma estatística na “Folha de Jerusalém”. Não é mais um número nas estatísticas dos crucificados pelos Romanos. Ele é Deus. Jesus é Deus. E se nossos sentidos não estiverem perceptíveis ao agir de Cristo ao nosso redor, nos dias de hoje, estaremos cada vez mais alienados a lógica maligna do mundo.

Da mesma forma, pessoas não são simples estatísticas. Pessoas são muito mais que números impressos no jornal. Pessoas são muito mais que cifrões aos olhos de empresários. Pessoas são muito mais que dízimos e ofertas.

Pelo menos para um cristão, pessoas devem ser mais que isso. Para um cristão, todos, inclusive inimigos, devem ser tratados como irmãos.

Que o Senhor tenha misericórdia de todos nós. Que Ele nos perdoe, pois ainda hoje, estamos gritando “Crucifica-o, Crucifica-o”. Gritamos isso para Jesus. Gritamos isso para o irmão que está ao nosso lado.

SE NECESSÁRIO, SEJA UM DESVIADO

É muito comum os cristãos usarem o termo “desviado” para se referir a um irmão que não frequenta mais a igreja. Ser um desviado está diretamente ligado a algo ruim, pois o entendimento imediato está atrelado à “voltar para o mundo”. Bom, o fato é que toda igreja (instituição) parte da premissa de que possui em mãos uma verdade (que muitas vezes acreditam ser absoluta) que alicerça o Caminho do cristão, que é Jesus. O problema é que esta verdade, muitas vezes é questionável. Muitas vezes a doutrina de certas igrejas se tornam repugnantes. Mais escraviza e aprisiona do que liberta o ser humano. Então vemos diversos fiéis melindrados a sair da igreja, pois serão rotulados de “desviados”.

Ser um “desviado” nem sempre é sinônimo de algo ruim. Pegar o desvio muitas vezes é necessário. Ao ver que a igreja na qual você frequenta está muito longe dos ensinamentos de Jesus Cristo, talvez seja um bom motivo para se desviar da mesma. Ao perceber que o púlpito da sua comunidade já não se alicerça pelos valores do reino de Deus e que sua voz, ao alertar o problema, já não é ouvida pelos irmãos, desviar-se é uma atitude coerente para se manter íntegro com os valores de Cristo. Neste sentido, vale muito mais a pena levar o rótulo de desviado do que se manter em um lugar corrupto com um rótulo de cristão.

Pastores manipuladores e corruptos sabem muito bem tirar textos de seus contextos para amedrontar os fiéis a buscarem um lugar onde o compromisso com o Reino é verdadeiro. Afinal quanto mais irmãos saírem da comunidade, maior é o desfalque de dízimos e ofertas. Neste sentido aparecem diversas supostas revelações do Espírito Santo na boca de supostos profetas dizendo: “ – Deus diz que você não pode sair desta igreja para ir para aquela outra”...e por ai vai. A igreja deixa de ser uma instituição onde todos se unem  em comunidade para viver os valores do Reino de Deus e passa a ser um Carandiru Espiritual. Pessoas se tornam aprisionadas e não têm coragem de mudar de comunidade simplesmente por que só pelo fato de desejar ir para um determinado lugar, já recebe o rótulo de ser um desviado.

Igreja que aprisiona, é igreja que possui algo errado. Jesus é libertador. Nele consiste o alvo. Desviar-se de outros caminhos para seguir no Alvo, a Cruz, é manter-se no Caminho, Jesus Cristo. Eu já levei o rótulo de desviado. Graças à Deus por ter me desviado de muitas coisas, pois ao me desviar de tais coisas encontrei o verdadeiro Caminho à seguir: Jesus Cristo.

Crer é pensar. Pensar à luz da Palavra de Deus. Talvez você esteja com medo de sair do lugar que você está, pois pessoas lhe impõem medo, dizendo que se você sair de uma determinada instituição, você estará perdendo sua salvação. Converse com Deus. Ore. Cristo é libertador e não um aprisionador. A sua salvação não precisa ser atestada por nenhum carimbo de instituição religiosa. A sua salvação está cravada na Cruz do Calvário. Se for preciso se desviar de igrejas para se manter no Verdadeiro Caminho, desvie-se. Se for preciso ser um desviado destas instituições, seja então um desviado. Desvie-se de tudo que lhe roube passos para chegar na Vida Eterna. Siga diretamente para o alvo que é Cristo Jesus.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

OLHE AO SEU REDOR

Se Deus existe, então há um jeito certo de se viver. E qual é este jeito certo de se viver?! Onde está a referência que devemos ter como base para viver?

Jesus é a resposta! Em Jesus vemos Deus como é e o homem como deve ser. Em Jesus podemos nos tornar gente, como gente deve ser. Humanos como o ser humano deve ser. Humanos como Jesus.

Nisto consiste o objetivo de todo cristão: ser imitador dos atos de Cristo.

Bom, mas se é esta a busca de todo cristão, então há uma premissa a ser considerada antes de assumir o compromisso de se tornar um imitador de Jesus. Esta premissa é a resposta da pergunta: Quem é Jesus para você?

Para algumas pessoas Jesus é simplesmente “um grande líder” ou “um grande mestre”. Para outros, Jesus é um homem muito poderoso, afinal Ele executou extraordinários milagres.

Mas o que a Palavra nos revela é muito mais que isso. Jesus é o próprio Deus encarnado. O Verbo que se fez carne. Jesus é o próprio Deus que se esvaziou e desceu para habitar em nosso meio. Um ser 100% homem e 100% Deus. Não um ser semi-deus (50% Homem e 50% Deus) como Perceu (assista o filme “Fúria de Titãs” e entenderá) da mitologia grega.

Jesus é Deus. Soberano. Poderoso. O que era infinitamente antes, o que é hoje e sempre será. O único que pode dizer “Eu Sou”.

Nós somos humanos. Somos convidados a enxergar a Cristo como um ser 100% Deus e 100% humano. Mas o fator no qual temos que nos basear a ser imitadores de Jesus é o lado 100% humano, pois nisto consiste o nosso propósito: ser seres humanos.

Sendo assim, qual o principal poder proveniente de Cristo em Sua humanidade?

O Amor! Ele é o Amor. Por isso interpretamos Deus como Amor. E é do Amor que nasce a misericórdia, o perdão, a doação, a paz e tantos outros elementos provenientes da Bondade Suprema de Deus.

O Amor nega a si mesmo para que o outro seja amado. O Amor se doa ao outro. O Amor se importa. Se compadece.

Quer ser um imitador de Cristo??? Ter o mesmo poder do lado 100% humano de Jesus?? Então...comece assim...



Um pequeno ato pode parecer simplesmente pequeno. Um pequeno ato pode parecer inútil. Pode parecer um nada. Um grão de areia. Mas o lado 100% Deus de Jesus faz o “simplesmente pequeno”, o inútil, o nada, o grão de areia se multiplicar. Ele fez isso com pães e peixes. Se o pão que você tem em mãos é um pequeno olhar, um pequeno abraço, pagar uma passagem para uma pessoa que foi roubada voltar para casa, pagar um almoço para um morador de rua, ou qualquer ato que aos seus olhos seja “ridículo”, não deixe de fazer. Faça-o e entregue nas mãos de Deus. Ele irá multiplicar o seu ato. O grão de areia será transformado em uma gigantesca duna. Muito mais que valer a pena, vale vidas. E vida, sempre vai valer mais!

O cristão constrói rampas antes de construir escadas. O cristão pensa primeiro nos excluídos antes de pensar na massa. O cristão pensa primeiro no próximo antes de pensar em si mesmo.

Faça isso. Seja um agente da graça de Deus no anonimato. Faça isso consciente de que não somos salvos por boas obras e sim pelo favor imerecido de Deus, mas que fé sem boas obras é uma fé morta. Faça isso para que o seu viver seja a pregação do evangelho de Cristo.

Recentemente recebi um convite de aniversário de um grande amigo. No mesmo, além da data, hora e local, havia um dizer “Quem desejar me presentear, não traga presente para mim. Traga um kilo de alimento não perecível”. Este meu amigo me relatou que encheu praticamente 2 vezes o porta mala do carro. Doou para instituições que ele conhecia. Então pensei...esta é a essência de um cristão, tirar o foco de ‘si”, ainda que no dia de seu próprio aniversário, para que as pessoas percebam que existe gente precisando ser acolhida.

Olhe ao seu redor. Mantenha os ouvidos, olhos...todos os sentidos sensíveis ao próximo.


Que o Senhor torne o nosso viver uma pregação da mensagem de Cristo. Que os nossos corações possam se disponibilizar a isso e assumir este compromisso com a boa nova de Cristo. Que os nossos sentidos estejam sensíveis aos nossos próximos.

A BIFURCAÇÃO DO AGORA

Conta-se que um dia um samurai, grande e forte, conhecido pela sua índole violenta, foi procurar um sábio monge em busca de respostas para suas dúvidas.
- Monge, disse o samurai com desejo sincero de aprender, ensina-me sobre o céu e o inferno.
O monge, de pequena estatura e muito franzino, olhou para o bravo guerreiro e, simulando desprezo, lhe disse:
- Eu não poderia ensinar-lhe coisa alguma, você está imundo. Seu mau cheiro é insuportável.
- Ademais, a lâmina da sua espada está enferrujada. Você é uma vergonha para a sua classe.
O samurai ficou enfurecido. O sangue lhe subiu ao rosto e ele não conseguiu dizer nenhuma palavra, tamanha era sua raiva. Empunhou a espada, ergueu-a sobre a cabeça e se preparou para decapitar o monge.
- “Aí começa o inferno”, disse-lhe o sábio mansamente.
O samurai ficou imóvel. A sabedoria daquele pequeno homem o impressionara. Afinal, arriscou a própria vida para lhe ensinar sobre o inferno. O bravo guerreiro abaixou lentamente a espada e agradeceu ao monge pelo valioso ensinamento.
O velho sábio continuou em silêncio. Passado algum tempo o samurai, já com a intimidade pacificada, pediu humildemente ao monge que lhe perdoasse o gesto infeliz.
Percebendo que seu pedido era sincero, o monge lhe falou:
- “Aí começa o céu”.

Como cristão, sempre acreditei plenamente no fato de que o Paraíso, ou o Céu (se assim preferir), é muito mais que um lugar, e sim um Ser: Deus. Ele é o Paraíso. Onde Deus está presente e Sua vontade é exercida em plenitude, o lugar se torna Paraíso. Da mesma forma que acredito que o inferno seja exatamente o lugar onde Deus tem também a Sua vontade exercida plenamente, mas Deus se faz Ausente. No Céu, Deus governa presente. No inferno, Deus governa ausente No Céu, o Governo de Deus é baseado no cálice do Seu Amor. No inferno, o Governo de Deus é baseado no cálice de Sua ira. O Céu é destinado a seres humanos que se fizeram, em Cristo Jesus, pessoas como “gente” deve ser. O inferno é o lixão da humanidade, onde pessoas rebeldes serão descartadas.

Este conto japonês nos remete a pensar no quanto já vivemos aqui e agora a possibilidade de ambos caminhos. Sim, hoje, exatamente agora, estamos diante da bifurcação das trilhas que levam ao Céu ou ao inferno. A ira do samurai, provocada pelo sábio ao ferir o “eu absoluto do guerreiro japonês”, é um convite a seguir o curso natural do ser humano caído e continuar em rebeldia. O pedido de perdão do samurai ao sábio, quando o mesmo percebe o ensinamento, é o rompimento com a lógica da queda, o rompimento com a lógica de rebeldia. É a contramão da lógica do mundo.

Ao arriscar a própria vida para ensinar o samurai, o sábio nos evidência que vale à pena correr o risco para prover vida para uma outra pessoa. O samurai, ao aprender perdoar, e entender que o perdão é o elemento restaurador do homem, o primeiro passo para o Céu, ganha uma outro entendimento de como ser gente. Ganha vida!

Como disse Juliano Son: “para que outras pessoas possam sorrir, vale a pena chorar, para que outras pessoas possam viver, vale a pena morrer”. Muitas outras coisas vale à pena: para que outras pessoas possam comer, vale à pena abrir mão de se empanturrar, para que outras pessoas possam se agasalhar durante o forte frio do inverno, vale abrir mão de algumas peças de roupa, para que pessoas possam ter dignidade, vale à pena abrir mão de argumentos.

Já parou para pensar: O que você não pode doar, não é seu! Possui você! A vida que você tem, não é maior de que quem à doou a ti. Deus possui a vida. Não é a vida que possui a Deus. Da mesma forma Ele nos convida a pensar desta forma. Se não doarmos nossa vida para o próximo, é sinal de que não possuímos a vida, e sim, nos tornamos meros seres existenciais. Viver sem ter sentido. Da mesma forma, o amor. Deus doou uma grande porção de seu amor a cada um de nós. Como nós não podemos doar nosso amor para outras pessoas. Aliás, o amor que Deus nos doou só passa a ser nosso, quando reconhecemos de onde este amor veio: da Cruz. Só assim tomamos posse deste amor. E só conseguimos reconhecer isto buscando viver os 2 maiores mandamentos de Deus: Amar a Deus sobre todas as coisas e amar o nosso próximo como Jesus nos amou. Será que estamos aptos a doar o que somos ao nosso próximo? Será que estamos dispostos a morrer para que outros tenham vida? Será que estamos dispostos a perdoar ou a só receber perdão? Será que estamos dispostos a ser benção ou só receber bênçãos?

Jesus viveu, morreu e ressuscitou para que toda a humanidade ganhasse vida.  Não a “vida” no conceito que o mundo entende. Não esta “vida” que temos hoje, onde as nossas “baterias” que nos mantém vivos logo irão acabar. O que Jesus fez por nós, foi se fazer de “Via” para uma vida eterna. Uma vida eternamente conectada a fonte de vida: Deus.

A morte da “morte” foi consumada com a morte de Jesus Cristo. Um Deus Santo que jamais poderia receber a morte como salário, pois Nele não há pecado algum.

Morrer para gerar Vida. Morrer de si mesmo para que outros tenham vida. Correr o risco, consciente de que os valores do Reino de Deus nos sustentam através da Cruz do Calvário.

Jesus é o Caminho para o Céu. Um Caminho pavimentado pela Graça de Deus. Um Caminho “asfaltado” pelo Amor derramado na Cruz do Calvário. Um Caminho que devemos desejar trilhar com pés descalços, em pleno contato com o solo em que pisamos. Para que nós, os viajantes, sejamos parte da próprio Caminho em que andamos e para que o Caminho seja parte de nós. Um imerso no outro. Um complemento do outro. Uma Unidade. Um dentro do outro.

Você não existe para ser descartado no lixão da humanidade. O seu propósito não é ser descartado no inferno, no Geena. Existe um vírus, chamado pecado, que corre em seu ser. Ele quer que você seja descartado. Este vírus contamina o nosso modo de pensar, sentir e agir , através de uma lógica onde o bem se faz ausente. Para que você cumpra o propósito de sua existência, que é viver uma vida de qualidade abundante e eterna juntamente com Deus, o próprio Deus proveu, por graça e amor, um “antídoto”, uma “vacina”, um “remédio”: O sangue de Jesus Cristo. Um sangue que se move em nós através do perdão. Um sangue que se move em nós através da graça.

A bifurcação está á sua frente. Agora. Já. Jesus se fez caminho de um lado. A lógica da rebeldia se faz trilha do outro. Um vai para Casa, nos leva de volta a nosso Lar, Deus. O outro para o lixão, o Geena. Qual caminho devemos escolher? Qual caminho você escolhe? O da graça de Jesus Cristo ou o da desgraça? O de Jesus ou o do seu “eu absoluto”?

O Caminho de volta para Casa, é estreito e longo. Não é um Caminho sem dor e sem problemas. Mas é o Caminho que nos leva de volta para o nosso Lar. É um Caminho que não trilhamos sozinhos, pois o próprio “Caminho” caminha ao nosso lado. É um Caminho de Paz, que excede o entendimento. Paz que se faz imersa na tribulação e nos problemas. Paz plena de Jesus.

Como disse o sábio, o perdão é o primeiro passo. Ele é movido pelo arrependimento. Jesus muito mais que simplesmente dizer isso, nos ensinou a viver isso. Olhe para a Cruz de Cristo. Viva a Cruz de Cristo. Quanto maior a sua experiência da Cruz de Jesus, maior será a sua consciência do Perdão e da Graça de Deus. Alguém já disse que experiência não é o que acontece com você, mas o que você faz com aquilo que lhe acontece. Lembre-se disso ao vivenciar a Cruz de Jesus. Ao trilhar este Caminho, sua vida proclamará o Reino de Deus. Ao trilhar este Caminho sua vida será o Evangelho Vivo de Cristo explícito aos olhos de todos ao seu redor.