terça-feira, 12 de novembro de 2013

AOS 45 MINUTOS DO SEGUNDO TEMPO


O narrador solta a voz no microfone: “ - Minutos finais da Partida. Pênalti marcado. Dimas está concentrado e se prepara para a cobrança. Se ele marcar, a vitória vem! Se desperdiçar, ele perde tudo. Com suas luvas gigantescas, pulando de um lado para o outro no centro do gol, está a morte, a guarda-metas adversária. Ela quer defender a bola de Dimas! Olho no lance...soou o apito, partiu Dimas, bateu: ggggoooooooooooooooooooooooooollllllllllll!!!!! A morte para um lado e a bola para o outro!!!! Ta lá dentro! Aos 45 minutos do segundo tempo, no finalzinho! Dimas, ficou cara a cara com a morte, mas venceu! Aos 45 minutos do segundo tempo, quando o árbitro ergue os braços e encerra a partida!”

 

Salvação no último minuto! Quem nunca já ouviu o discurso: “Vou aproveitar a vida! É só eu me arrepender no último minuto, que serei salvo!”??? Vale a pena perguntar...será que é exatamente assim que as coisas são? Será que realmente as coisas não são bem mais profundas do que parecem!?

 

A narração de Dimas (nome, que muita gente diz ser, do “bom” ladrão que foi crucificado ao lado de Jesus, e que usarei para me referir ao ladrão que se arrependeu) marcando o gol da vitória aos 45 minutos do segundo tempo é uma “mera ilustração” da narrativa de Lucas 23:39-43:

 

E um dos malfeitores (ladrões) que estavam pendurados blasfemava dele, dizendo: Se tu és o Cristo, salva-te a ti mesmo, e a nós.
Respondendo, porém, o outro, repreendia-o, dizendo: Tu nem ainda temes a Deus, estando na mesma condenação?
E nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o que os nossos feitos mereciam; mas este nenhum mal fez.
E disse a Jesus: Senhor, lembra-te de mim, quando entrares no teu reino.
E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.



Antes de continuar é preciso pensarmos algumas coisas importantes...

 

Existe uma grande discussão teológica sobre a frase dita por Jesus no versículo 43: “E disse-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”.

 

Esta discussão parte do Credo dos Apóstolos, que afirma que “Ele (Jesus) desceu até o Inferno”. Sendo assim, se Jesus não foi ao Paraíso naquele mesmo dia, e sim para o inferno, Dimas também não poderia ter ido (o que seria uma “suposta contradição bíblica”). Dentro deste contexto, temos...

 

...de um lado muitos teólogos que alegam que há um erro de tradução e interpretação nesta frase de Jesus (a vírgula da discórdia), que deveria ser traduzida corretamente como: “Em verdade te digo hoje, que estarás comigo no Paraíso!”. Leia mais sobre isso aqui. Ou seja, em outras palavras, Jesus estava dizendo a Dimas: “Hoje te asseguro que estarás comigo no Paraíso”.

 

...por outro lado, alguns outros teólogos dizem que não há um erro de tradução na frase de Jesus, mas sim na interpretação do que é o “inferno”. Isso por que os tradutores erroneamente atribuíam a palavra “inferno” para tratuzir tanto “Hades” (que quer dizer lugar invisível) quanto “Sheol” ou “Seol” (que quer dizer túmulo). Leia mais sobre isso aqui. Parte desta confusão surgiu de passagens como Salmos 16:10:11 que diz: “Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. Far-me-ás ver a vereda da vida...”. No caso, “Inferno” não seria a tradução correta deste verso. O correto seria “a sepultura” ou “Sheol”. Neste contexto, na Cruz, quando Jesus disse ao ladrão ao Seu lado: “Hoje mesmo estarás comigo no Paraíso”, o corpo do ladrão estava em uma sepultura, e sua alma/espírito foi para o “Paraíso” esfera do Sheol/Hades (o Seio de Abraão descrito na Parábola do Rico e Lázaro – Lucas 16:19-29). Nesta interpretação, Jesus removeu todos os justos que estavam mortos e se encontravam no lado do abismo chamado de Seio de Abraão e os levou consigo aos Céus. Sendo assim, Dimas teria ido junto com todos os demais (os mesmos descritos em Efésios 4:8-10).

 

A discussão se estende pelo fato de Dimas ter morrido um dia depois da consumação da morte de Cristo:

 

Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a Preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas, e que fossem tirados. Foram, pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas do primeiro, e ao outro que com ele fora crucificado; mas vindo a Jesus, e vendo-O já morto, não lhe quebraram as pernas”. Jo.19:31-33

 

Há muito pano para manga! Discussão para mais de metro...

 

Mas voltando ao centro da discussão: Salvação no último minuto!


Sim, acredito que Deus nos concede o perdão aos 45 minutos do segundo tempo. Dimas é uma prova disso. Entretanto, será que é tão fácil assim, agir como Dimas agiu!? Será? Imagine-se nos últimos minutos de vida! Será que você seria capaz de reconhecer o “escape” ao seu redor? Aliás, será que as circunstâncias da vida lhe dariam oportunidade de ter alguns 30 segundos para se arrepender antes do sopro de vida se ausentar de seus pulmões?

 

Se não bastasse isso, a Palavra nos diz que um abismo chama outro abismo. Em outras palavras, um pecado chama outro pecado. É como certa vez ouvi o Pastor Ricardo Gondim dizer: Imagine um homem que pulou em um lago e nadou...nadou...nadou...até que a margem de onde ele partiu sumiu. Ele olha para trás e não vê mais a margem de onde ele saiu, só vê água. Está tão distante que não sabe se o melhor é seguir em frente e tentar encontrar uma margem do outro lado ou se o melhor é voltar. Já não há mais forças nos braços para dar braçadas, mas é preciso tomar uma decisão. Assim é o pecador, o nadador que pula no lago do pecado e nada tanto, dá tantas braçadas, que quando olha para trás, se vê perdido. Nada em direção a morte.

 

O pecado cega, anestesia a consciência. Nós vamos dando braçadas e mais braçadas. E quando chegar os 45 minutos do segundo tempo olharemos ao nosso redor e então procuraremos a margem do lago, mas só enxergaremos a imunda água do pecado ao nosso redor. Neste “olhar ao redor”, será que veremos o “escape”? Será que teremos a sorte de Dimas? Será que teremos alguns segundos para discernir ao nosso lado, num corpo todo judiado por chicotadas romanas, cusparadas, machucados... o escape, a salvação?

 

Se você está neste lago de pecado, agora, hoje, dando braçadas atrás de braçadas, feito um atleta olímpico, com a consciência anestesiada pelo pecado, nadando em direção a morte, descida agora sair desta condição. Pare as braçadas e ainda que flutuando neste lago grite: Deus, me resgata!

 

O homem não pode se ajudar sozinho. Como disse Ed René Kivits, auto ajuda é como um homem caído no chão utilizando a própria mão para puxar os seus próprios cabelos para se levantar. Ajuda do alto é Deus nos estendendo a mão para nos tirar do chão. É Deus nos resgatando do lago do pecado e nos fazendo caminhar sobre as águas de volta para a margem da salvação.

 

Abandone o discurso de que “buscar a Deus” é algo que se pode fazer no futuro. Todo tempo que temos pertence à Deus. Nós não sabemos do amanhã. Quem não sabe do amanhã não tem tempo. Somos seres criados para o hoje, para o agora. Quando é tempo de buscar a Deus? Agora, já! Não temos a certeza de que teremos a sorte de Dimas, de ter alguns minutos diante da morte para olhar ao redor e reconhecer Deus. Mas podemos ter a certeza de que se vivermos agora e já a consciência de que temos que buscar Deus agora, Ele nos encontrará. Clame, do lago de pecado em que você estiver nadando...clame agora...Ele irá te resgatar. Não deixe para os 45 minutos do segundo tempo...afinal de contas, não sabemos quando o juiz dará o apito final para as nossas vidas.
 
 
 
Nada de excepcional havia em sua forma
N'ele não reconheci Deus em sua glória ali
Junto ao meu lado ali
Seu corpo esmagado ali
O inesperado pouco a pouco lá na Cruz
Vi um menino escondido em seu sorriso
Eu vi mais que um homem
Afligido em sua maldição
Como poderia ser Ele a minha honra?
Não podia entender Deus em sua glória ali
Junto ao meu lado ali
Seu corpo esmagado ali
O inesperado pouco a pouco lá na Cruz
Vi um menino escondido em seu sorriso
Eu vi mais que um homem
Afligido em sua maldição
Vi n'Ele esperança para mim
A luz que apaga a minha escuridão
Lembre-se de mim no dia
Sei que nada sou uh uh ah
Senhor
Nada em troca pela vida
Tenho pra te dar uh uh ah
Me dou, me dou
Oh ooh
Vi um menino escondido em seu sorriso
Eu vi mais que um homem
Afligido em sua maldição
Vi n'Ele esperança para mim
Eu vi n'Ele a luz que apaga a minha escuridão
No paraíso ainda hoje
No paraíso ainda hoje
No paraíso ainda hoje
No paraíso ainda hoje
Eu viverei ainda hoje
No paraíso ainda hoje
Viverei viverei viverei
Viverei!
 
Que o Senhor, a Luz que apaga a nossa escuridão, nos abençoe, sempre e sempre, com Sua abundante Graça e Misericórdia!

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